30 março 2007

Coerência, lógica e paixão (1 de 3?)

Pois é, vejam vocês... Há tanto tempo sem postar nada, minha audiência com números próximos do ridículo caindo ainda mais, e isso pq estou com tempo livre!

Bom, estou em duas discussões no orkut, uma sobre aborto e outra que eu ainda não sei direito sobre o que é, e pretendo fazer algumas considerações para que vcs, leitores, não entrem em uma discussão sem saber argumentar. Enfim, quero ensinar pelo exemplo.

Antes de começar, quero lembrar que essas discussões são extremamente passionais (falar sobre deus, por exemplo, que p/ maioria das pessoas é algo indiscutível), e quando ficamos passionais demais, esquecemos a razão. E é exatamente isso que não pode acontecer, já que o foco deve ser CLARO e OBJETIVO. Ah, falarei mais adiante, mas já adianto: nunca entrem numa discussão com uma opinião formada. Se você tem sua opinião formada, vai ficar magoado se alguém discordar, e jamais vai conseguir ver que está errado (se estiver). Mantenha sua cabeça aberta. Odeio 'opiniões formadas'. Viva Raul!

1 - A discussão do aborto
Bom, o lance todo dessa discussão é que meu interlocutor não tem lá muita familiaridade com a lógica. Mas isso nem é um problema grande, visto que a imensa maioria das pessoas é assim. Já participei de dezenas de discussões que levaram dias, e acho que dá p/ contar nos dedos as pessoas que seguiram a lógica ao argumentar.

Antes que pensem (como já me sugeriram) que eu considero lógico somente o que eu concordo, já aviso que é um tremendo absurdo. Já vi (poucas vezes, mas vi) pessoas religiosas, comunistas defendendo sua posição com extrema eloquência e...lógica. Claro que tudo depende de premissas, e no fim considero que eles estavam errados por causa das premissas. Por exemplo: a igreja, em sua argumentação contra o aborto, é muito lógica. Não dá p/ apontar um erro de silogismo no que diz a igreja. O problema dela é outro: a premissa inicial (a existência de deus) é que é duvidosa.

Na hora de discutir uma posição, que haja coerência. Eu já falei sobre isso em um dos meus textos sobre o aborto (Defendendo uma causa Simpática), e reitero: se quiser defender uma causa, defenda-a mesmo quando a situação não for agradável. Se você acha, por exemplo, que o direito à vida é inalienável mesmo quando ainda não existe vida, então defenda esse mesmo direito também em caso de estupro, senão você não estará sendo coerente!

Coerência... A maioria das pessoas acha que é, mas sua argumentação não passa pelo crivo das regras da lógica, e ficam nervosas quando você aponta seu erro. Nessa minha discussão no orkut sobre o aborto, eu fiquei impressionado com a situação: eu não cheguei a dar UM argumento sequer. Eu apenas pegava o argumento do meu interlocutor e aplicava a outra situação, p/ mostrar aonde aquele argumento poderia chegar. Ele ficava indignado, mas com o PRÓPRIO argumento, não com o MEU (pq eu não tinha dado argumento nenhum!).

É preciso ficar atento ao que se fala, e sempre procurar dar um argumento hermético, abrangente, e que não permita interpretações dúbias. E, acima de tudo, que siga os preceitos básicos da lógica na argumentação: as regras de silogismo.

Amanhã falo sobre a minha discussão que eu não sei sobre o que é.

20 março 2007

25/07/1995

Rebeca relembra seu passado.

Rebeca e o Desconhecido se beijavam sofregamente enquanto a escada rolante descia. Eram primos, e o Desconhecido era casado. A escada em que desciam levava a um cubículo com uma porta lateral, e ambos sabiam que sua família estava bem atrás dessa porta. Não deveriam estar fazendo isso, mas a vontade era maior.

Ao chegar ao fim da escada, Rebeca empurra o Desconhecido carinhosamente, ajeita o cabelo, e abrem a porta sorridentes, como se nada houvesse acontecido, e são bem recebidos por todos.
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Todos ouvem gritos, sobem pela escada rolante, e vêem, no alto da subida de chão de terra, Rebeca gritando e um homem batendo violentamente nela. O Desconhecido, entra no carro de seu pai. O banco da frente está ocupado por seu pai e por seu irmão mais novo, então ele entra no banco de trás, e grita para subirem o morro rápido. Mas quando o carro está quase alcançando Rebeca, seu pai vira à direita e entra numa rua sem saída, e sem espaço suficiente para que o Desconhecido abra a porta para sair do carro.

Sem entender, o Desconhecido grita que retornem, mas nada acontece. O Desconhecido, então, tira uma arma e atira no vidro traseiro. Termina de arrancá-lo com os pés, sai do carro e corre em direção à Rebeca.

Ao se aproximar, vê o rosto de Rebeca ensaguentado. Ela tenta se defender, mas não consegue. O homem percebe que o Desconhecido se aproxima, e tenta atacá-lo, mas o Desconhecido atira em sua perna, e o homem cai.

A situação se acalma um pouco. O Desconhecido bate no homem até machucar suas próprias mãos. Em seguida, começa a atirar no homem, mas torturando-o. Atira nos dois joelhos, depois nas canelas. Pisa nas pernas do homem e ri. Cospe em cima dele, e atira nas mãos, braços e cotovelos do homem. Não tem a intenção de matá-lo. Ainda não. Atira no estômago do homem - a morte mais dolorosa que se pode ter, pq o ácido clorídrico do estômago espalha-se e 'digere' os outros órgãos, e tudo isso enquanto o homem ainda está vivo.

A última coisa que se ouve do homem é uma jura de vingança e uma risada.

O Desconhecido ajuda Rebeca a se levantar. Abraça-a e chora ao ver seu rosto. O pai e o irmão do Desconhecido se aproximam, dizendo para deixá-la. O Desconhecido, então, aponta a arma e ordena que não se aproximem. Vai até o carro do pai, coloca Rebeca dentro, e parte.

Nunca mais Rebeca foi vista. Não como uma pessoa comum. Não por pessoas comuns.

16 março 2007

Google

Falar de aborto está me rendendo algumas visitas vindas do Google. É um bom assunto, e pelo jeito as pessoas procuram bastante!

Tá, tbm teve alguém buscando
simpatias faceis na hora da transa, mas tudo bem.

11 março 2007

Pergunta interessante

Recebi um comentário com uma pergunta interessante, que já me foi feita várias vezes nas discussões que participei, mas não falei sobre aqui, ainda.

A mensagem foi a seguinte:
Oi André! Queria saber o que você pensa sobre:
O punhado de células que vai ser descartado não se transforma em ser humano?

Olá Dede! Então, a resposta é sim e não. Quando estamos falando de futuro, apenas podemos especular, imaginar, suspeitar, etc. Nunca teremos certeza, pois estamos tratando de possibilidades.

Se, com toda a certeza absoluta, alguém pudesse dizer que aquele montinho de células VAI se transformar em um bebê, eu pensaria melhor a respeito (não digo que mudaria de idéia, mas poderia repensar, ao menos). Mas ninguém pode afirmar isso.

Ninguém sabe, com toda a certeza, que o bebê irá nascer. Poderia acontecer um aborto espontâneo. O bebê poderia nascer sem cérebro. Coisas assim. Não são sequer improváveis, quanto mais impossíveis. Ou seja, a sua pergunta só pode ser respondida estatisticamente: há possibilidade de que o montinho de células se transforme num ser humano. Mas, por outro lado, tbm há a possibilidade de que não se transforme. Traduzindo da estatística para uma resposta objetiva, teremos algo estranho: sim e não ao mesmo tempo.

De qualquer forma, usando esse raciocínio de julgar/decidir sobre o presente baseando-se no futuro, poderíamos concluir também que sequer a camisinha deveria ser utilizada, pois aquele espermatozóide que ficou preso nela teria chances grandes de se encontrar com o óvulo e formar um ser humano. O mesmo vale para pílulas anticoncepcionais, contraceptivos de emergência (pílula do dia seguinte), masturbação, etc, etc.

Usando esse raciocínio estaremos, em primeiro lugar, criando falácias. Em segundo lugar, nos aproximando perigosamente de concluir que quem está mesmo certa é a igreja. Melhor não, hein!

09 março 2007

Defendendo uma causa simpática - Epílogo (?)

Comentário:
Uma adolescente de 17 que transa e não se previne a ponto de engravidar de certa forma desejou transar e escolheu assim, mesmo que imaturamente e mesmo sem saber que desejou -inconscientemente- a gravidez.
Uma mulher estuprada não escolheu transar, nem escolheu o parceiro. ISSO FOI IMPOSTO por força física, armas, ameaças etc.
Então, como se trata de uma imposição ao sexo e a uma possível gravidez, acho coerente sim o aborto.
Uma coisa é uma adolescente que conhece um rapaz, transa, engravida mas sem ser sob ameaça de morte... outra coisa é uma mulher estuprada e ameaçada de morte caso reaja a isso...

Concorda que nesses exemplos existe a diferença da IMPOSIÇÃO AO FATO?

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Resposta a um ótimo comentário de Morgana

Ei, nunca vou jogar leitor qualquer pela janela. Imagina, se até os maus leitores, os que não tem nada a acrescentar e tentam de toda forma me atacar são bem-vindos (aumentam o número no contador de visitas), você acha que bons leitores, que participam, que entendem, que, no máximo, atacam a idéia (e não eu, o portador da idéia) seriam expulsos? :-)

Enfim, você fala sobre a adolescente de 17 anos que não se previne por desejar, ainda que inconscientemente, engravidar. Certo, concordo. Mas e aquela que se previne, mas a camisinha rompe? Ou a pílula falha?

Ok, mas nesse meu caso eu estou mudando o exemplo que você deu, certo? Vou pedir permissão p/ me intrometer um pouco numa área que admiro muito, mas não conheço tanto: a psicologia/psiquiatria. A mulher que é estuprada, evidentemente, o é mediante grave ameaça. Entretanto, da mesma forma que a adolescente pode desejar engravidar, mas esse desejo fica oculto, e conscientemente ela jamais quereria isso, será que, numa analogia, a mulher que é estuprada não sabe que corre esse risco ao andar sozinha por um lugar perigoso e, inconscientemente, não desejaria isso (e por isso não se protege, não busca outro caminho)?

Concordo que meu exemplo pode parecer grosseiro. Ora, quem iria querer ser estuprada. Mas, por outro lado, se o inconsciente é bastante poderoso a ponto de fazer uma menina de 17 anos se descuidar mesmo que conscientemente ela não queira engravidar, e sabe que isso pode destruir sua vida, pq ele não poderia ser poderoso o suficiente p/ 'facilitar' o estupro, sei lá, num momento em que a mulher se sinta rejeitada, sinta que ninguém olha p/ ela, se interessa por ela?

Mas, de qualquer forma, o assunto do aborto deve ter com foco na gravidez, e não em como ela ocorreu, se foi num motel, num carro, na rua, na chuva, na fazenda... Digo isso, entre outros motivos, pq o mote anti-aborto é a defesa da vida, e a vida do filho do estuprador é tão 'vida' quanto a do filho dos adolescentes pobres, e quanto a do filho dos adolescentes ricos, etc.

Aborto - Defendendo uma causa simpática (Parte 2 de 2)

(continuação do post do dia 08/03/2007)

Na verdade, isso me incomoda um pouco. Uma discussão pode ser algo estranho, e é difícil manter uma linha única de raciocínio, então eu geralmente fico incomodado, mas aceito a mudança. Então, perguntador que sou, questiono o motivo de o sexo consensual ou não ser o que define se o bebê vai viver ou não. Ouço que são coisas diferentes. Ah tá, agora sim.

Pq no sexo consensual as pessoas sabem que existe o risco de engravidar mesmo se se protegerem (menos de 1%, mas existe), então se mesmo sabendo do risco (baixíssimo) as pessoas fazem sexo, devem se responsabilizar caso aconteça algo inesperado. Na verdade, esse argumento serve mais ao debate da abstinência do que ao aborto. Mas é uma questão até engraçada, pois mesmo assim dá p/ traçar um paralelo entre as duas situações (sexo consensual e estupro): e a mulher que sai de noite em lugar perigoso, não sabe que existe o risco d'ela ser estuprada? E (usando a mesma lógica) se ela, mesmo sabendo do risco, sai pra rua, então deve se responsabilizar caso aconteça algo que não estava esperando (tecla SAP: estou RIDICULARIZANDO o argumento anterior, e não enaltecendo este. Preciso dizer que sou contrário a ambos?).

Bom, o lance é que sendo o sexo consensual, envolvendo proteção adequada, e o método falha, o que fazer? Responsabilizar duas pessoas p/ o resto da vida, sendo que elas podem não estar preparadas para o que vem pela frente? Sendo que isso pode destruir a vida de ambos, da mesma forma que uma mulher estuprada que engravida?

Vejam que num debate não dá p/ ficar só pegando as 'partes fáceis'. Vamos falar só de 'adolescentes irresponsáveis' (punição), estupro (absolvição), e pronto? E os outros casos? Acidentes, por exemplo? E no caso de pessoas paupérrimas, que mal têm condições de se manterem? E no caso dos adolescentes não serem nem conhecidos? Nem amigos, nem namorados, nada? A criança não terá pai (assim como no caso do estupro), a mãe pode rejeitá-la (assim como no caso do estupro), enfim, se analisarmos bem, são casos parecidos.

A diferença é que um gera simpatia pelo aborto, pois coloca o foco no momento do sexo forçado (coitadinha da mulher, ela sofreu, blablabla), e o outro gera antipatia, pois coloca o foco na irresponsabilidade e no prazer que o sexo gerou, portanto não há um 'coitadinho'.

Vcs vêem como a situação do debate acaba caindo no problema da empatia, que Rousseau já tinha observado sobre a caridade? Se alguém sofre, isso gera uma empatia (pode acontecer com vc), e vc se comove. Mas se ninguém sofre, pelo contrário, se todos estão tendo prazer e vc está se ferrando, vc fica é puto da vida! Pautar discussões por esses sentimentos é não sair do lugar.

08 março 2007

DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Comentário ao post DIA INTERNACIONAL DA MULHER!. Leia o post antes de continuar esta leitura, pois esta é uma mensagem àquela escritora, Morgana.
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Morgana, mas vc não acha que hj em dia estamos vivendo uma fase de deslocamento do poder patriarcal p/ um poder, digamos, mais igualitário? Vemos exemplos absurdos de machismo anacrônico em vários pontos conservadores da sociedade (igrejas, pequenas cidades, etc), mas ao mesmo tempo vemos o homem atual perdendo seu poder tradicional e pior, se tornando uma vítima dessa transição.

Explico melhor com um exemplo de balada: hj em dia o homem não sabe se vai chegar na mulher e ela vai ser recatada, ou se vai corresponder amistosamente, ou se ELA é que vai chegar nele, ou se ela vai beijar a mulher ao lado. Caso ela seja recatada, não dá p/ saber se ela não está a fim, ou está mas não demonstra. Caso ela corresponda amistosamente, não dá p/ saber se ela está só sendo legal, ou se está a fim. O homem, portanto, fica numa situação delicada, não sabe o que faz. Fica perdido em uma tentativa de ser 'macho' pela tradição, ou de ser 'sensível' p/ ser moderno.

P/ o 'macho' do passado, não havia muita dúvida: mulher que estava na 'balada' era fácil, se estava lá é pq estava a fim, e era só pegar, como num super mercado. Já mulher p/ casar, ter filhos, era aquela apresentada pelos pais, que sabia costurar e falava baixo e nunca, NUNCA o contrariava. Hoje o machinho não sabe se está agradando, se está sendo idiota, se deve fazer tal coisa, se não deve, e aí você encontra um monte de 'manual' na internet de como tratar uma mulher (que ridículo!).

Em contraponto à dúvida do homem (macho: ser ou não ser, eis a questão) também há dúvida na mulher. Hoje em dia ela tem poder, mas muitas vezes nem sabe que tem, ou prefere não usar. Cobra o homem por atitudes que ELA poderia ter tido, mas, ao mesmo tempo, se o homem quer tomar as atitudes, ela vai precisar de 'mais espaço'. Digo, hoje a mulher pode fazer o que ela quiser, mas sendo ela própria machista, acha que precisa de um homem que 'aja como um homem com H maiúsculo'. Essa época de transição tá é deixando muita gente doida!

A sensualidade exposta na mídia, por exemplo, não mostra mulheres fracas e submissas, mas sim mulheres que comandam, o que denota que, no mínimo, elas têm voz. Ambos ficam, então, numa situação delicada: agora ninguém sabe mais o que fazer, quando fazer, como fazer, e o que o outro vai pensar.

A mulher média vai tentar agir como a da propaganda, forte, impulsiva, e se desespera por achar que não consegue. O homem médio vê a mulher forte da propaganda e se sente intimidado, e já fica na defensiva quando vê a mulher do parágrafo anterior, tentando ser forte, mas por dentro, frágil e desesperada. Mas como ele só vê a parte de fora, fica desesperado. Isso sem falar na OBRIGAÇÃO de, na hora do sexo, agradar a mulher de todas as formas! O problema não é a intenção, essa até que é boa. O problema é ver como se fosse uma obrigação!
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Além disso, o machismo não vem só dos homens. Quem cria um machinho desde cedo tbm é a mulher, que deixa o menino fazer bagunça no quarto, mas não deixa a irmã, pois 'menina tem que ser arrumadinha'. Ou faz cara feia quando a filha de 20 anos diz que vai sair, mas incentiva o menino de 17 a fazer o mesmo. Ou faz o filho se sentir muito mais à vontade para apresentar a namorada, do que a filha, cuja liberdade é 'administrada'.

Eu, particularmente, vejo que a sociedade, em geral, é sim machista. Mas ao dizer 'a sociedade', estamos culpando ninguém, e não dá p/ resolver o problema se estamos só empurrando p/ debaixo do tapete. A verdade é que os machistas não são só os homens. As próprias mulheres que se dizem tão independentes e fortes e modernas chamam a outra de vagabunda pq a 'vagabunda' simplesmente aproveitou melhor a balada.

Veja, por exemplo, este site, no post do dia 01/03/2007. O site, no geral, tende a zoar os homens, e elas criticam bastante o 'truque do desaparecimento', que é quando o cara desaparece. Entretanto, quando é com elas, veja o que ela comenta sobre o cara que ficou ligando p/ ela e ela sumiu: "Babe, se eu quisesse fazer algo com você eu já teria ligado, né?".

É horrível generalizar as coisas, certamente, mas eu nunca vi uma mulher que faz questão de mostrar que é independente que não seja EXTREMAMENTE machista. Ela toma AS MESMAS atitudes que tanto critica nos homens, e fala sobre as outras mulheres AS MESMAS COISAS que os homens que ela julga machistas dizem. Mulher independente, na minha opinião, é aquela que não precisa e não mostra p/ ninguém que é, que faz, que acontece. Ela simplesmente é.

E é para essas mulheres (incluo vc, Morgana, nessa definição) que eu brindo este dia! E já deixo meu repúdio à todas as mulheres menininhas! Certamente este dia não foi pensado p/ mulheres fracas.

Aborto - Defendendo uma causa simpática (Parte 1 de 2)

É muito fácil defender uma causa que traz simpatia. É muito fácil dizer que é contra o aborto quando os envolvidos são adolescentes 'irresponsáveis' (nem importa se foi algum acidente ou foi irresponsabilidade msm, vamos crucificá-los!). É muito fácil fazer o discurdo de defesa da vida humana e aproveitar p/ passar sermão, dizer que as pessoas precisam arcar com as consequências de seus atos, blablabla.

Tudo isso gera simpatia. Enquanto o bonitão está lá dizendo tudo isso, todo mundo balança a cabeça positivamente, aprovando cada vírgula. Aí chega uma parte espinhosa: e em caso de estupro? P/ manter a simpatia, o cidadão diz ser a favor neste caso, pois a mulher não quis, foi obrigada, portanto não precisa arcar com consequência nenhuma. Ok, tudo muito simpático, mas o que me importa é a lógica. Ora, mas e a defesa da vida?

Aí, ouço muito por aí, sabem, dizem que no caso do aborto é diferente (odeio quando usam o argumento 'é diferente', pois normalmente quem diz isso nunca consegue mostrar, de forma lógica, qual é a diferença). Dizem que a criança poderia destruir a vida da mulher (destruir no sentido de que a vida dela mudará completamente, e de forma inesperada e indesejada), que a criança será indesejada, blablabla. E eu, que não entendo direito o mundo e por isso pergunto bastante, fico curioso: ora, mas e a menina de 17 anos que gostaria de cursar uma faculdade, conseguir uma bolsa de estudos no exterior, aproveitar sua juventude? A vida dela tbm não será destruída (no mesmo sentido anterior)? A criança não será indesejada? Enfim, tudo igualzinho. Ah, mas ser contra aborto até mesmo em caso de estupro é coisa de reacionário, não é simpático, as pessoas vão balanças a cabeça negativamente... (Na minha opinião, seria o mais lógico por parte de quem se diz a favor da vida, pois se a pessoa for a favor da vida somente quando a causa é simpática, então ela não é REALMENTE a favor da vida).

Claro que nesse ponto da conversa, eu vou ouvir um 'é diferente, André'. E aí um amigo meu, nesse ponto, me surpreendeu. Ele me deu um argumento que eu nunca havia escutado antes. Na verdade, logicamente não funcionou bem: ele mudou o foco da conversa. O foco, de GRAVIDEZ INDESEJADA (e possibilidade de aborto), passou a ser o sexo. Dizia ele que quando há sexo consensual e gravidez, é uma coisa, e quando há sexo forçado e gravidez, é outra (até então o foco era a gravidez, percebem?). Agora não importa mais a vida humana, o que importa é punir responsáveis.

(continua amanhã)

02 março 2007

Aborto - Falácias favoráveis

É difícil encontrar quem defenda o aborto, pois existe o preconceito de chamar de 'contra a vida' quem é favorável à liberdade de escolha. Até aí tudo bem, pois o ser humano é preconceituoso mesmo, e não aceita facilmente opiniões contrárias (mas isso não é ruim, pois se não fosse esse mecanismo de preconceito ao que é diferente, a raça não sobreviveria; é um impulso animal de proteção). O que me espanta são os motivos das pessoas que se declararam, em minhas discussões, favoráveis ao aborto.

São motivos falaciosos, umbiguistas, isso quando não descamba p/ 'eu sou mulher, eu que entendo o que é carregar um filho 9 meses na barriga', e isso pq a pessoa que me disse isso nem filho tem. Argumentos do tipo 'a mulher é quem deve decidir' são comuns, mas falaciosos. Pq deve ser uma decisão da mulher? O filho não é feito apenas por ela. Ok, ela vai carregá-lo durante os 9 meses, mas isso não lhe dá poder de decidir sobre vida e morte. Se ainda fosse uma decisão do casal...

É difícil p/ mim falar contra o aborto, pois eu tenho tendência a ser a favor, já que sou a favor da liberdade total do cidadão. Mas às vezes fica fácil, e vou me focar nisso neste texto.

Recebi de uma amiga um texto postado em um site de discussão sobre aborto. Esse texto foi escrito por um homem que se diz contrário ao aborto, mas acha que o Estado deveria 'rapidamente legalizar o aborto e acabar com a hipocrisia'. Reparem: ele é contra, acha que deveria ser liberado, e em TODO o texto dele, dá a entender a todo o momento que é a favor.

Ele conta que 3 (TRÊS!) mulheres já haviam engravidado dele e abortado. Dá uma de coitadinho o tempo todo: diz que as mulheres tem vários métodos anticoncepcionais e o homem não tem nenhum, diz que as mulheres que abortaram dele fizeram sem consultá-lo e isso deixava-o triste, pois elas não tinham esse direito, aí logo em seguida diz que é contra o aborto mas a mulher tem o direito de fazer o que quiser. Bom, se 3 mulheres engravidaram da figura e abortaram é pq boa coisa o rapaz não deve ser, não é mesmo? Quais as chances disso acontecer 3 vezes com uma pessoa? A menos que ELE tenha incitado as mulheres a fazerem isso.

E como assim, homem não tem nenhum método anticoncepcional? Fico me perguntando se quem escreve tanta asneira assim acha realmente que está ajudando com seus argumentos, e não percebe que, na verdade, está é atrapalhando quem realmente PENSA sobre o assunto e defende uma causa.

Agora, o segundo argumento mais engraçado é este: "Você gosta de ver uma criança descalça, suja pedindo esmola em um sinal? Você ajuda ou você faz que não ver? Se você não ajuda e é contra o aborto, desculpe, é hipocrisia...". Ou seja, se você simplesmente não ajuda as crianças na rua e é contra o aborto é hipócrita. Quer dizer que todas essas crianças deveriam estar mortas, e aí sim o mundo seria melhor, é isso? P/ que crescimento sustentável? Vamos matar todos os necessitados, ora! Bom, falando de forma pragmática, eu até concordo: se matarmos todos os mendigos da cidade, olhe só, nossa cidade não terá mendigos! Se matarmos todos os pobres, nosso IDH vai p/s alturas! E aí, que tal a idéia? Ridícula, não?

P/ finalizar (isso pq eu só peguei as coisas mais ridículas, pq o menino escreveu uma asneira por palavra, mais ou menos), ele questiona: "olhando o mapa do aborto no mundo, por que a maioria dos países ricos permitem o aborto enquanto a maioria dos países pobres não permitem?". Mapa do aborto? MAPA DO ABORTO? Tá, tá... Bom, basear sua opinião em falácias passa. Ele só é burro. Mas isso não é falácia, é mentira mesmo. O ÚNICO país rico que permite o aborto, que eu me lembre, é a Holanda (que, aliás, permite tudo!). Recentemente Portugal fez um referendo e também vai liberar. Ainda assim, é o segundo. EUA, Alemanha, Inglaterra, França, Japão, Itália (só aqui eu já devo ter falado de 97% da riqueza mundial) proíbem o aborto.

Olhem, juro que esse texto poderia ser gigante se eu tomasse cada idéia ridícula que li no comentário do rapaz que é contra o aborto mas acha que deveria ser legalizado e comentasse uma a uma. Mas tenho mais o que fazer. Ainda vou falar melhor sobre a guerra dos sexos.

Leiam o texto do minino (com i mesmo), na íntegra, e digam se eu tô exagerando...