10 dezembro 2010

Tratamento ético aos animais

Você come carne ou ovos? Se sim, sabe qual a origem deste alimento? O animal que você estará saboreando no almoço teve uma vida o mais próximo do natural possível? Ou viveu apenas 6 meses, confinado, torturado, com uma lâmpada na cara que fica acesa por 6 horas seguidas, depois apagada 6 horas seguidas, simulando um dia e uma noite na metade do tempo, de modo a forçar o animal a pôr ovos na metade do tempo?

No mundo todo, principalmente em países com pouco espaço, há pecuária realizada por meio do confinamento. Os bois e vacas são mantidos em pequenos currais, onde não podem andar, correr, manter laços com outros de sua espécie, comer pastagens naturais. São forçados a comer a mesma ração no tempo arbitrariamente determinado. São tratados como máquinas. Imaginem uma vida assim. Pensem nos escravos. Um absurdo que isso tenha existido no Brasil, não? Pois então, a vida deles era melhor do que a vida a que são submetidos muitos animais. Mas, no caso do Brasil, isso praticamente não existe. O gado bovino é criado quase exclusivamente de forma extensiva, ou seja, os animais são soltos, comem pastagem. Por isso, quero me dedicar mais às aves, que, no caso do Brasil, são os animais que sofrem mais (e, numa escala de sofrimento, os porcos vêm em segundo lugar).

Certamente todos vocês já viram um caminhão levando galinhas, não? Todas aquelas gaiolinhas amontoadas, com tão pouco espaço que as aves não conseguem sequer abrir as asas. Alguns animais ficam na parte de baixo, no fundo. Imaginem respirar naquele canto onde nem a luz do dia alcança. Agora imaginem que aquilo É A VIDA daqueles animais. Elas sairão do caminhão e continuarão naquela mesma gaiola o resto de suas vidas, sem poder ciscar, passear, esticar as asas. Alguns produtores arrancam o bico das aves, afinal, elas são apenas máquinas, certo?, onde se coloca a ração em um lado, e se recolhe o ovo no outro. Como já mencionei, há lugares em que, para se obter mais ovos, e, sabendo-se que o ciclo de produção de ovos das galinhas é baseado em dia/noite, enfia-se uma lâmpada na cara das galinhas, para que o ciclo dia/noite ocorra na metade do tempo. Claro que há “pequenos” efeitos colaterais: uma galinha criada solta vive até 6 anos. Uma galinha nessas condições vive 6 meses. Mas tudo bem, não é? A carne dela também será aproveitada. Ou será vendida, ou será transformada em ração para outras galinhas.

Bem, há coisas muito, MUITO piores do que eu descrevi aqui (como pintinhos sendo jogados vivos em máquinas de moer), mas aí já estaria beirando o sensacionalismo, já que, no Brasil, essas coisas piores seriam exceções. A regra, entretanto, é aquilo que descrevi: confinamento.

Pessoal, isso não vai acabar enquanto não houver um sistema alternativo. As pessoas não deixarão de consumir ovos ou carne, pois essas torturas acontecem longe de nossas vistas da cidade grande. A solução é asfixiar financeiramente essas empresas não-éticas. Deixar de comprar de quem produz às custas de sofrimento alheio! E como fazer isso? Como, no supermercado, saber qual ovo veio de uma galinha torturada e qual veio de uma galinha que viveu (e talvez ainda viva, já que uma galinha vive bastante tempo) livre? Este é o objetivo deste e-mail.

Existem certificadoras, empresas que verificam se o processo de produção é feito respeitando o animal e seu bem-estar, e dão selos a empresas que atendem estes e outros requisitos.

Neste link você pode ver sobre a certificação. Neste, dá pra ver como saber, pelos rótulos, qual empresa utiliza um sistema de produção ético (dêem preferência para alimentos orgânicos certificados!). Aqui, você confere dicas para ajudar a acabar com o confinamento de animais.

Neste site, se você se interessar, você pode ver vários outros tipos de absurdos que são cometidos com os animais. E aqui, você tem acesso a várias certificadoras, e você pode ver como funciona esse processo, que é regulado pelo governo.

Gente, eu não estou falando pra paramos de comer feijoada, ovo, churrasco, etc, etc. Isso é muito bom, e se, para termos essas coisas a única opção for torturar os animais, eu estou certo que a tortura jamais acabaria. Estou apenas dizendo o seguinte: há opção! Dá pra continuarmos comendo essas coisas, mas oferecendo uma vida plena, sem torturas, a esses animais.

Só pensem sobre isso. Talvez um produto orgânico custe 2 reais a mais, já que, de fato, custa um pouco mais não tratar os animais como máquinas (mas esse valor tende a diminuir quanto mais houver produção deste tipo de alimento). Mas será que não vale a pena pagar 2 reais a mais sabendo que o animal do qual você se alimentará não foi torturado? Eu acho que vale.

07 outubro 2010

Aborto até o nono mês???

Aproveitando que só se fala nisso (por maus motivos), vou dar uma palavrinha também. Vocês já devem ter visto em algum lugar uma moção da igreja contra a lei que legaliza o aborto, nos seguintes termos: "diga não à lei que legaliza o aborto até o nono mês". Ora, que absurdo, claro que eu sou contra uma lei que legaliza aborto até o nono mês! Quem seria a favor disso? Imaginem, o bebê poderia nascer amanhã e seria saudável, e viveria fora do útero materno tranquilamente, e aí a mulher decide abortar? É um absurdo!

Ok, ok. Estranhei. Eu sei que existem leis no Brasil que são ridículas, e tal. Mas a lei que é ridícula não existe no vácuo. Ela tem contexto. E, normalmente, o contexto explica a existência dessa lei. Por exemplo, hoje em dia as pessoas tendem a achar absurdo criminalizar o adultério. Mas, em uma época em que a religião era muito mais forte, e a honra blablabla, fazia sentido que o adultério fosse considerado crime. Hoje não.

Então como pode existir e prosperar um projeto de lei que vai totalmente contra o espírito do tempo? Hm... Curioso. Bom, o que um cidadão faz nessa situação? Suspende o juízo? Fala sobre futebol? Repassa uma corrente na internet? Tá bom, são opções. Mas eu fui atrás desse projeto de lei. E sabem o que eu descobri? Vejam só, a lei libera o aborto em:

1 - qualquer situação, até 3 meses de gestação (sou favorável)
2 - em caso de estupro, até 4,5 meses de gestação (sou contra)
3 - em caso de risco de vida à mãe
4 - em caso de doença grave

Achei até bem razoável. Mas espera aí. Onde está a liberação até o nono mês de gravidez? Você, leitor mais inteligente, já percebeu qual é a jogada. A lei é clara em relação ao tempo de gravidez (3 meses, 4 meses e meio) para gestações normais, mas não especifica tempo em casos de risco de vida, ou seja, em gestações especiais. Mas espera aí. JÁ É ASSIM HOJE! Aliás, em caso de estupro, esta lei é até mais restritiva, já que hoje não há um tempo máximo para este caso. A única mudança que a lei implementaria seria o aborto liberado em qualquer situação até os 3 meses. Ou seja, a lei NÃO é contrária ao sentimento social. E não estou dizendo que a sociedade seja favorável ao aborto, pq acho que não é, mas admite o debate nestes termos (aborto até 3 meses), sendo que jamais admitiria sequer o debate de um aborto de gestação normal até o nono mês.

Perceberam como é fácil, sem mentir (apenas omitindo), colocar a população contra uma coisa que esta população não conhece? Que vergonha, hein, igreja!! Que vergonha!!!

Ps.: sobre a Dilma, nem acho que o problema seja ela ser favorável ao aborto. Ora, cada um tem sua opinião, e se sua opinião, como a minha, for contra o pensamento da maioria das pessoas, vc que aceite pagar o preço, ué! O que não pode é ser favorável a uma coisa polêmica, contrária ao pensamento da maioria, e aí, na boca da urna, mudar de idéia! Aí não, né!

30 setembro 2010

Urubuzando a Bienal


Rolou um debate sobre o uso de animais na arte, e eu fiquei assistindo quietinho, pois ainda não havia formado uma opinião a respeito. O debate deu-se a partir de um texto que uma ONG publicou sobre os urubus usados na Bienal. Segundo o texto, os urubus iriam ficar ouvindo música alta, iriam ficar expostos à luz, iriam sofrer isso e aquilo. Argumento vai, argumento vem, e agora eu tenho uma opinião! Não é lindo? Segue:

Eu fiquei, durante esses dias, lendo os textos de todos, e lendo também o que saía na internet sobre o assunto, e acho que agora já tenho uma opinião sobre o assunto. Mas, antes de mais nada, queria fazer uma correção: diferentemente do que estava no texto do abaixo-assinado, os 50 alto-falantes não tocam música nenhuma. O silêncio deles é parte da obra.

Vamos lá. A princípio, não vi problemas em se usar um animal na obra. Era de se supor que eles seriam bem tratados, e também que não seriam bichos selvagens que foram confinados exclusivamente para a exposição, até pq, se fosse o caso, aí a discussão nem seria sobre arte; seria sobre polícia, e acredito que os organizadores da Bienal não estão interessados em aparecer nas páginas policiais.

Mas, intuitivamente, alguma coisa estava errada, e foi nisso que fiquei pensando durante esses dias. E aqui segue o que eu pensei.
O texto postado neste grupo iniciou uma discussão sobre o TRATAMENTO (foco nesta palavra) dos animais na exposição. Aliás, o próprio texto foca esse aspecto, quando diz que é um absurdo não a exposição em si, mas as condições a que os animais estariam submetidos (os alto-falantes que estariam tocando música alta, o estresse de ficar o dia inteiro sob forte iluminação e sob os olhares e barulhos dos visitantes, etc), de forma que, aparentemente, o texto não condenaria a exposição dos urubus se eles estivessem sendo bem tratados, e foi isso que levou o grupo a discutir as vantagens biológicas do urubu ser dominado pelo homem (e poder ser exposto) versus as dificuldades que ele passaria na natureza, etc.
Na minha opinião, portanto, a discussão estava equivocada. Acho que ninguém discorda quanto a ser imperativo que animais domésticos ou domesticados sejam bem tratados. Além disso, a discussão quase partiu para 'aquilo é arte?', mas, ainda assim, acho que não se discutiu a essência do que estava acontecendo: 'é justo/lícito/correto/ÉTICO que se use animais vivos em uma obra artística?'.

Reitero um ponto, para que fique bem claro: estou 'descartando' a discussão sobre o tratamento dos animais pq acho que isso é um ponto de convergência. O bom tratamento dos animais é premissa, não está aberto a questionamentos, e o texto inicial, com toda a intenção de se mostrar contra o uso dos animais, acabou apelando para a mistificação de que os animais estariam sofrendo, provavelmente com a intenção de sensibilizar ainda mais o leitor, mas isso fez com que se escapasse a discussão principal, que é essa que estou propondo agora (e que propus a mim mesmo enquanto pensava sobre tudo o que vocês escreveram): 'é correto que se use animais vivos, ainda que bem tratados, na arte?'.

Para balizar minha opinião, utilizei a igual consideração de interesses, tema do Peter Singer. Questionei-me:
- Ser exposto numa obra de arte trará de forma objetiva e incontestável algum benefício para o animal?
Evidentemente a resposta é 'não', já que ele seria (deveria ser) bem tratado de qualquer forma. Pior ainda se estivermos falando de um animal selvagem, capturado apenas em nome da arte.
- Ter o animal exposto numa obra de arte trará de forma objetiva e incontestável algum benefício para os homens?
A resposta também é 'não', já que qualquer tipo determinado de arte é sempre contingente, nunca necessário (o que não significa que a arte em si não seja necessária; mas existem infinitos tipos de arte, e aquela específica que usa os urubus não é necessária).

Reparem que estas questões, se aplicadas ao uso de cobaias, ou ao uso de animais na alimentação, trarão respostas diferentes, já que há sim benefícios claros e inequívocos aos homens na criação de vacinas e medicamentos, e a alimentação nem precisa ser argumentada, certo?

Bem, por esses motivos acho que o uso de animais como 'obras de arte' deveria ser proibido. Aliás, acredito que os animais possuem o mesmo grau de inimputabilidade de uma criança, o que nos leva, no mínimo, a pensar se o tratamento dispensado a ambos não deveria ser o mesmo. Imaginem uma criança que mora na rua, que é espancada pelos pais, sendo exposta numa obra de arte (atenção: ela não estaria sendo exposta POR CAUSA dos maus tratos que sofre, mas seria um complemento da obra, seria parte da obra, e não A obra), e, questionado, o artista diria que ela está sendo muito bem tratada, recebe 3 refeições por dia, cuida da higiene, e está muito melhor na exposição do que estava antes, na rua ou apanhando dos pais.

Ah, já admito logo: sou especista, o que não significa que acho que podemos maltratar os animais à vontade. Há formas de utilizá-los para o bem da humanidade sem fazê-los sofrer, ou ao menos evitando ao máximo qualquer sofrimento desnecessário.

E, pra finalizar, minha opinião sobre aquela obra de arte específica: acho uma idiotice usar os urubus. Acho que ficaria mais significativo se, com os 50 alto-falantes mudos, o artista formasse a imagem de um urubu, por exemplo.

08 julho 2010

Os Dissidentes Cubanos

Ah, Cuba libertou 52 presos políticos? Que bom... Quantos ainda faltam?

Mas o mais engraçado é ver gente que até ontem dizia que Cuba os prendeu por serem agentes americanos, traidores, etc, e hoje diz que a libertação é uma demonstração de como Cuba é democrática...

Pera aí, mas se eles eram traidores, agentes infiltrados, então eles deveriam continuar presos, ora! Se foram soltos, é porque não eram traidores, nem agentes coisa nenhuma: eram presos políticos mesmo. Cometeram crimidéia.

Ai, ai, nem o governo de Cuba está colaborando com esses esquerdistas que defendem Cuba. Os coitados precisam ficar "mudando os fatos" a cada dia...

19 março 2010

É pra rir de quem?

Vejam a imagem abaixo:




Essa imagem é a quinta neste post do Kibeloco:
http://kibeloco.com.br/kibeloco/2010/03/18/pracas-do-braziu-partes-246-a-255/

Daí vem o título deste post. É pra rir de quem? Na certa, um ignorante metido a engraçadinho viu e pensou que o cara que escreveu era um pobre... ignorante. Ocorre que brava é uma espécie de mandioca, e, de fato, ela é venenosa. Aquela placa pode ter salvo a vida de algumas pessoas mais humildes, que pensam duas vezes antes de rir de alguma coisa.

Por isso que, antes de corrigir alguém, é muito bom pensar 10 vezes. Será mesmo que a pessoa está errada?

10 fevereiro 2010

O ateu e o suicídio

Deve ser muito legal ser um espírita, ou um hindu, ou um budista, ou de qualquer religião que acredita em reencarnação. Um mundo assim seria bem melhor.

Veja o caso de quem é cristão: se a vida dele é uma merda, ele não pode se matar, senão, depois de sabe-se lá quanto tempo até o cristo retornar, ele (o cristão) vai pro inferno. Muçulmano ainda pode ganhar 72 virgens, mas pra isso ele tem que se matar levando um monte de gente, então também não deve ser legal, acho.

Judeu eu não sei, mas se matar deve ser ruim também, pq eu lembro que no cerco de Massada, fizeram um esquema em que sortearam quem mataria quem até sobrar o último, que se matou, e isso tudo para que somente um sofresse as consequências do suicídio.

O espírita tecnicamente pode se matar sem problemas. Ele vai voltar numa escala mais baixa da evolução espiritual, é verdade, mas vai ter chance de refazer o caminho. Suicídio pra um espírita (logicamente falando, claro), é como desligar a máquina e colocar uma ficha de novo: você volta lááá atrás, mas volta.

Já o ateu, coitado, pior de todos! Pra esse, como não há perspectiva nem de um céu, nem de uma reencarnação, se matar é uma bobagem! Todas as fichas dele estão apostadas nessa única vida. E nem sentido ela tem! Mas se ele se matar, não vai ganhar NADA. Não vale a pena para o ateu se matar, simplesmente isso.

O cristão, mesmo indo para o inferno, pode fazer isso como um martírio. Como há uma vida após a morte, ainda pode haver alguma chance de deus ter alguma piedade dele e tirá-lo do inferno. Ou mesmo antes de ir para o inferno, durante o julgamento, deus pode concordar que deu uma vida de merda pro cidadão e fazer vista grossa pro suicídio dele. Isso deve valer também pros muçulmanos e pros judeus. O deus dos três é o mesmo, né...

Mas o ateu não tem chance. A vida dele está exclusivamente na carne, no físico (a dos religiosos também, visto que tudo que se encontra nos céus das religiões é prazer carnal: leite e mel, virgens para deflorar, sei lá, plástico-bolha?, mas isso é outra história).

Resumindo: quando o ateu tá na merda, vale mais a pena aproveitar a merda... ele não terá nem merda depois pra aproveitar.

10 dezembro 2009

Votação quântica

Leiam isso:

"Na noite de ontem, o Parlamento unicameral hondurenho decidiu, por 111 votos contra 14, confirmar a decisão que tirou o presidente do cargo em 28 de junho, negando a possibilidade de que Zelaya retornasse para concluir seu mandato até 27 de janeiro.

"Com isso, o Congresso foi contra o cumprimento de um dos pontos principais do Acordo Tegucigalpa-San José, defendido pelos Estados Unidos e pela União Europeia como um caminho para sair da crise.

"O documento, assinado em 30 de outubro pelo governo de fato e representantes do presidente deposto, previa a restituição de Zelaya, por meio de votação no Parlamento, além da formação de um governo de unidade nacional e o estabelecimento de uma comissão de acompanhamento e investigação."


Pra quem não acompanha, ou acompanha pelo que falam por aí, é o seguinte: o tal documento não previa a RESTITUIÇÃO de Zelaya, e sim que seria o Congresso a decidir sobre isso. Quem quis isso, inclusive, foi Zelaya. Micheletti queria que fosse a Suprema Corte a decidir.

Ou seja, é mentira que a restituição estava no documento. Aliás, nem é preciso ser muito informado pra perceber isso, né? Só um pouco de lógica já demonstra a mentira. Vejam o que o próprio texto diz: "O documento (...) previa a restituição de Zelaya, por meio de votação no Parlamento". Como assim? Então a votação seria só de mentirinha? Seria uma votação com resultado já conhecido antes mesmo da votação? Seria uma espécie de votação quântica? Será que cada deputado recebeu um papelzinho dizendo em que ele deveria votar? será que a votação teria que ser pró-Zelaya por unanimidade, ou seria feito um sorteio para decidir quem vota em quê?

Que beleza de (certa) imprensa, hein... Que tal o slogan: "Informando a qualquer custo, mesmo contra toda a lógica"? Não vejo a hora de noticiarem a revisão da lei da gravidade...

03 dezembro 2009

A Igreja Católica é f...

Mais uma vez, lá vou eu, um arauto do ateísmo, defender a Igreja Católica... Vejam que beleza:

"Para toda consciência, torna-se necessária uma escolha: a quem quero seguir? A Deus, ou ao maligno? A verdade ou a mentira? Escolher Cristo não garante o êxito segundo os critérios do mundo, mas assegura a paz e a felicidade que só ele pode dar".

Quem falou isso foi o Papa Bento XVI. Reparem nessa parte: "Escolher Cristo não garante o êxito segundo os critérios do mundo". Claramente, ele fala sobre riqueza, sobre bens materiais, etc. Alguém aí imagina aquele pastor (que tá cada vez mais informal) do Fala que eu te Escuto, ou o próprio Edir "Avatar" Macedo, ou algum pastor evangélico falando algo do tipo?

Nããão. Aliás, é até comum ouvir nesses programas evangélicos coisas assim:

"Para toda consciência, torna-se necessária uma escolha: a quem quero seguir? A Deus, ou ao maligno? A verdade ou a mentira? Escolher Cristo garante o êxito, garante o sucesso, garante uma família linda e maravilhosa, garante que sua empresa crescerá, que seu salário aumentará, que seus rendimentos lucrarão muito... E o caminho para Cristo é o não sei o que lá dos 318 pastores. E o dízimo é o pedágio."

Algo assim...

27 novembro 2009

Unibanida

Agora que passou o frisson causado pela feinha da Uniban, quero falar. Em primeiro lugar, a menina é feia, mas isso não é motivo para o linchamento moral a que ela foi submetida. Em qualquer país sério, ela já estaria milionária. Como não estamos num país lá muito sério, tenho minhas dúvidas se ela vai ser indenizada, e, mesmo se for, se vai receber essa indenização tão rapidamente quanto as pessoas juntaram-se para agredí-la.

Em segundo lugar, ela estava com um vestido ridículo. Há quem ache provocante, mas ainda que estivesse pelada, ninguém tem o direito de encostar a mão nela. Se fosse o caso (se estivesse pelada), que chamassem a polícia para prendê-la, mas fazer o que fizeram é absurdo. Ou o quê? A mulher provoca, o cara estupra, e a culpa é dela? "Ah, mas ninguém ia estuprá-la". É? Bem, se, por exemplo, eu vejo um monte de gente armada vindo pra cima de mim e dizendo que vai me matar, fica tentando arrombar a porta do lugar que eu estou, etc, etc, eu realmente acredito que vão me matar. Ou então tá todo mundo apoiando o Maluf de 1989: "se o sujeito tá com vontade sexual, estupra, mas não mata"? É isso? Se a mulher provocar, pode estuprar?

Em terceiro lugar, ela estava na Uniban. Esse foi o erro dela. Qualquer universidade séria teria feito o que? Expulsado todo mundo e feito um pedido de desculpas público para a menina, e ainda teria dado a ela uma bolsa de estudos integral. Mas não. Os sábios mantenedores expulsaram a vítima. Daí já se vê o que é realmente importante na visão de quem manda por lá: a vida, a dignidade, o respeito, nada disso vale mais que a mensalidade de mais de 50 alunos! Imagina, perder todas essas mensalidades...

Muito bem, tudo isso posto, fiquei por muito tempo pensando nas justificativas que eu escutei. Coisas do tipo: "é verdade, isso não se faz, mas ela provocou né?", e por aí vai. Bem, o "mas" mata, né. Repito: se ela estivesse pelada, ninguém teria o direito de encostar a mão nela. Se ela estivesse pelada e dançando nua para provocar os alunos, nenhum aluno teria o direito de encostar a mão nela. Ou seja, qualquer "mas" é punir duplamente a vítima: uma vez pelo fato ocorrido, outra por responsabilizá-la, ainda que tangencialmente, pelo fato ocorrido.

Chegamos, socraticamente, ao problema: como proceder a análise da situação de forma que se entenda pq todas aquelas pessoas fizeram o que fizeram, sem engatar nenhum "mas" que responsabilize a vítima? É difícil, hein. Pensei que eram homens das cavernas. Mas não eram. Pensei que fossem da direita reacionária e religiosa. Também não eram. Enfim, pensei, pensei, e só obtive UMA resposta satisfatória: os homens que participaram daquilo são homossexuais enrustidos que gostariam de, eles próprios, estarem naquele vestidinho, mas, justamente por serem reprimidos, atacaram aquela menina que usava-o de consciência tranquila. E as mulheres são aquelas babacas que estão sempre se achando gordas demais, magras demais; aquelas que são "vítimas" dos produtos de beleza, que sempre acham que tem uma pelanca aqui, uma celulite ali, e, resumindo, têm vergonha do corpo que têm. Atacaram a feinha que não tava nem aí pro que achariam dela. Acharam um absurdo alguém ter amor próprio o suficiente para, mesmo que contra os padrões de beleza, simplesmente usou a roupa que a fez sentir-se bem. Nada mais.

Não deixa ser ser uma forma de lutar contra o sistema, né? E ela foi escorraçada por atacar, com sua atitude, o status quo. Tá, essa última parte é brincadeira.

Mas é isso. Pra mim, gente que se preocupa tanto com o que o outro faz a ponto de atacá-lo só pode estar com inveja. Eu sei, tô sendo simplista, mas, de novo: essa foi a ÚNICA resposta que atende os requisitos necessários: entender o ocorrido sem responsabilizar a vítima.

Isso dá uma bela tese de mestrado. Mal posso esperar pra ler a primeira... E aposto que vai ser algo sobre a ideologia no ato de usar o vestido, a luta contra o sistema, a revolução contra o status quo...

19 agosto 2009

Sensatez

Vejam que pérola. O rapaz escreveu num fórum sobre abortos. O texto foi escrito numa pancada só, sem parágrafos, e com uma pontuação bem, digamos, rústica. O texto dele vai em azul, e eu vou quebrando e comentando em preto. Foi difícil, viu... Vamos lá.

Olhando os testemunhos não vi nenhum relato de homem... gostaria de contribuir.. sou contra o aborto.. ok... mas culpar o homem é injustiça.. temos praticamente nenhum método anticoncepcional garantido enquanto a mulher tem vários, mas isso é problema da ciência.

É verdade. Camisinha serve pra encher e animar festa.

Meu relato: em 1995 estava noivo, devido a brigas e excesso de ciúme resolvi acabar com tudo, ela insistiu, insistiu tanto que ficamos de novo, mas a situação piorou mais..viajei e com quase um mês fora voltei e acabei definitivamente. Ela disse, você não pode fazer isso, porque eu estou grávida! Eu pensei: grávida? Agora? Mentira sua? Assumo o filho, mas não vou mas viver com você. Ela abortou.

Hum.

Em 1999, namorava uma mulher de 22 anos, insistia tanto para casar, noivar, mas eu não queria até que resolvi acabar, mas você não pode acabar assim, ela disse... por que não? porque a minha menstruação está atrasada... justo agora que a gente acabou você vem me dizer que está grávida... uma semana depois ela disse que estava tudo normal.

Hum.

A terceira... comecei um outro namoro, já em 2001, ela disse logo: não se preocupe com camisinha, eu não gosto e não posso engravidar tenho policistos, não se preocupe.. perguntei tem certeza? tenho, não se preocupe... ok... namoramos tudo sem camisinha, ela engravidou! Ela se sentiu tão mal que abortou e não me disse... chegou para mim e falou: descobri que posso engravidar, fiquei grávida de você, mas já tirei, você confiou em mim... acabamos o namoro.

Pera lá, pô. Terceira vez? E, nas três vezes, o coitadinho não sabia de nada? Na terceira vez a mulher falou pra ele não se preocupar com camisinha (como se ela só prevenisse gravidez), mas e nas outras duas? Ok, o benefício da dúvida, né. Ele deve ser um azarado.

A decisão de ter um filho é uma decisão de duas pessoas, não de uma... acidentes acontecem.. ok.. uma menina de 15 anos ou mais nas primeiras relações é aceitável, mas mulheres maduras de 25 anos... dizer que engravidou por acidente é mais difícil acreditar, não é impossível, mas é difícil...

Como assim? Pera lá. O rapaz não usa camisinha, mas a responsabilidade por ter engravidado é da mulher? Pior: a CULPA é da mulher? Se a mulher é inexperiente, é ACEITÁVEL que engravide por acidente, mas uma mulher “madura” de 25 anos, aí é “difícil de acreditar”?

eu estava casado, sem filhos, começamos a brigar muito, pedi a separação, ela não aceitou, insistiu, pediu tempo, eu não agüentava mais a relação, dois meses depois ela disse: estou grávida...ai depois dizer que não teve apoio do homem e por causa disso abortou, ou seja, colocar a culpa nos outros, gostaria muito de uma pílula masculina para acabar de uma vez com isso...

QUARTA VEZ? QUARTA VEZ??? E “colocou a culpa nos outros”, dizendo que o homem não dava apoio. QUARTA VEZ. Será que ele nem desconfia que o problema PODE estar com ele? Sei lá, de repente ele não só não dá apoio, como ainda estimula a mulher a abortar. De repente, com algumas atitudes inconscientes, tipo deixar a agenda de telefones aberta na página “Clínica de aborto” depois da mulher ter dado a notícia. Quem sabe...
E ele gostaria de uma pílula masculina pra acabar de uma vez com isso... Pq a camisinha não serve, né. Vai ver ele é religioso, e a Igreja manda não usar camisinha. Tudo bem que a Igreja manda não fazer sexo fora do casamento, mas essa parte não importa, não é mesmo? QUARTA VEZ!!!!

o aborto é um problema grave, sou contra, mas a mulher tem o direito de fazer o que quiser,

Hahaha, é como dizer: as drogas são um problema grave, sou contra, mas, quem quiser usar, que use. E veja bem: a MULHER tem o direito de fazer o que quiser. Ele não tem responsabilidade nenhuma. Foi a mulher. Assim ele dorme com a consciência tranqüila...

olhando o mapa do aborto no mundo, por que a maioria dos países ricos permitem o aborto enquanto a maioria dos países pobres não permitem? Onde está a diferença? Os países ricos são ruins e os países pobres são bons?

É uma mentira que a maioria dos países pobres não permitem e a maioria dos países ricos permitem. Não existe tal relação.

Você gosta de ver uma criança descalça, suja pedindo esmola em um sinal? Você ajuda ou você faz que não ver? Se você não ajuda e é contra o aborto, desculpe, é hipocrisia...

Hipocrisia pq? Quer dizer que se o aborto fosse liberado, aquela criança não existiria, é isso? Essa relação também é bem quadrúpede, tanto quanto a dos países, acima. A menos, claro, que a pessoa esteja sugerindo que a mão forte do Estado seja usada para impedir que os pobres tenham filhos. Pq, enquanto as pessoas tiverem escolha, ainda mais num país religioso, a maioria continuará tendo o filho e depois o abandonando. O que permite concluir que o problema das crianças desamparadas não está na possibilidade do aborto. Eu acredito que é na educação, principalmente. Educação não da criança. Dos pais. Mas é a minha opinião.

Sou contra o aborto, mas a minha opinião é apenas uma opinião, acho que o Estado deveria rapidamente legalizar o aborto e acabar com a hipocrisia...

De novo: é como dizer: eu sou contra as drogas, mas o Estado deveria rapidamente legalizá-las para acabar com a hipocrisia. Não dá pra levar a sério alguém que não SE leva a sério. Se ele acha que a própria opinião está errada, ou é maluco, ou é burro.

Quem vai dar assistência para a criança? O Estado? A igreja?

Argumento mais idiota...

Uma cunhada minha, pobre, teve que passar por três maternidades para poder "dar a luz"... a bolsa estourou, foi em uma, aqui não pode, foi em outra, também não, na terceira, iniciou o trabalho de parto no corredor... Onde estamos com tamanha hipocrisia?

O que isso tem a ver com o assunto? A historinha deixa a situação dele até pior: ora, se a saúde pública está tão ruim que cometeram o crime de recusar uma mulher grávida que estava dando a luz, pq ele acha que dariam prioridade no atendimento de alguém que quisesse abortar? Ora, por esse raciocínio, provavelmente a gravidez já teria 9 meses quando fossem realizar o aborto.

Se a mulher quiser abortar, ok, temos que prestar assistência médica e psicológica...

Ah, temos é? Meu amigo, se a saúde pública é ruim para atender uma grávida numa situação de emergência, pq funcionaria para prestação de assistência médica E psicológica?

é a consciência dela que vai sofrer depois... não é a minha... cada caso é um caso, sou contra o aborto rotineiro, mas em algumas situações é um decisão dura, mas as vezes é a única.

Hahahahha. Ai meu deus. Depois o hipócrita é quem é contra e não ajuda as criancinhas...

Recentemente vi em um jornal: "doméstica presa por praticar aborto"... por que eu não vi?: "empresária presa por praticar aborto"... ou será que o aborto é coisa de pessoas pobres? Com certeza não é.. existe aborto em todos os meios da sociedade, mas uma vez, hipocrisia!

Ora, talvez pq uma empresária não tenha praticado aborto. E, se estivesse, estaria cometendo um crime igual a essa doméstica. E, se ela não está sendo punida, deveria estar. Não se obtém um acerto com dois erros. Pensando assim, deveríamos legalizar o assassinato, já que existem assassinos ricos que não são condenados, já que nos jornais só se vê pobres sendo presos, etc, etc.

Pra resumir, o rapaz é contra o aborto, mas acha que ele deveria ser liberado. Ele não usa camisinha, mas acha que a culpa da gravidez é da mulher. Os argumentos dele são essas historinhas de gente que não obteve atendimento médico quando precisava (e, se a mulher tivesse abortado, não precisaria do atendimento médico, entenderam?); de gente pobre que é presa cometendo um crime (e gente rica não é presa, então deveria logo ser liberado); de gente que não ajuda criancinhas e é contra o aborto (ora, se a mãe tivesse abortado, a criancinha não existiria e não precisaria ser ajudada). É gente idiota assim que acaba fazendo com que gente que tem bons argumentos seja rotulada como “egoísta”, como “contrário à vida”, etc, etc.
Às vezes acho que esse tipo de coisa é escrito de propósito por gente que é contra o aborto, só pra desmoralizar quem é a favor. Mas depois lembro que a imensa maioria das pessoas é simplesmente imbecil...