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07 outubro 2010

Aborto até o nono mês???

Aproveitando que só se fala nisso (por maus motivos), vou dar uma palavrinha também. Vocês já devem ter visto em algum lugar uma moção da igreja contra a lei que legaliza o aborto, nos seguintes termos: "diga não à lei que legaliza o aborto até o nono mês". Ora, que absurdo, claro que eu sou contra uma lei que legaliza aborto até o nono mês! Quem seria a favor disso? Imaginem, o bebê poderia nascer amanhã e seria saudável, e viveria fora do útero materno tranquilamente, e aí a mulher decide abortar? É um absurdo!

Ok, ok. Estranhei. Eu sei que existem leis no Brasil que são ridículas, e tal. Mas a lei que é ridícula não existe no vácuo. Ela tem contexto. E, normalmente, o contexto explica a existência dessa lei. Por exemplo, hoje em dia as pessoas tendem a achar absurdo criminalizar o adultério. Mas, em uma época em que a religião era muito mais forte, e a honra blablabla, fazia sentido que o adultério fosse considerado crime. Hoje não.

Então como pode existir e prosperar um projeto de lei que vai totalmente contra o espírito do tempo? Hm... Curioso. Bom, o que um cidadão faz nessa situação? Suspende o juízo? Fala sobre futebol? Repassa uma corrente na internet? Tá bom, são opções. Mas eu fui atrás desse projeto de lei. E sabem o que eu descobri? Vejam só, a lei libera o aborto em:

1 - qualquer situação, até 3 meses de gestação (sou favorável)
2 - em caso de estupro, até 4,5 meses de gestação (sou contra)
3 - em caso de risco de vida à mãe
4 - em caso de doença grave

Achei até bem razoável. Mas espera aí. Onde está a liberação até o nono mês de gravidez? Você, leitor mais inteligente, já percebeu qual é a jogada. A lei é clara em relação ao tempo de gravidez (3 meses, 4 meses e meio) para gestações normais, mas não especifica tempo em casos de risco de vida, ou seja, em gestações especiais. Mas espera aí. JÁ É ASSIM HOJE! Aliás, em caso de estupro, esta lei é até mais restritiva, já que hoje não há um tempo máximo para este caso. A única mudança que a lei implementaria seria o aborto liberado em qualquer situação até os 3 meses. Ou seja, a lei NÃO é contrária ao sentimento social. E não estou dizendo que a sociedade seja favorável ao aborto, pq acho que não é, mas admite o debate nestes termos (aborto até 3 meses), sendo que jamais admitiria sequer o debate de um aborto de gestação normal até o nono mês.

Perceberam como é fácil, sem mentir (apenas omitindo), colocar a população contra uma coisa que esta população não conhece? Que vergonha, hein, igreja!! Que vergonha!!!

Ps.: sobre a Dilma, nem acho que o problema seja ela ser favorável ao aborto. Ora, cada um tem sua opinião, e se sua opinião, como a minha, for contra o pensamento da maioria das pessoas, vc que aceite pagar o preço, ué! O que não pode é ser favorável a uma coisa polêmica, contrária ao pensamento da maioria, e aí, na boca da urna, mudar de idéia! Aí não, né!

19 agosto 2009

Sensatez

Vejam que pérola. O rapaz escreveu num fórum sobre abortos. O texto foi escrito numa pancada só, sem parágrafos, e com uma pontuação bem, digamos, rústica. O texto dele vai em azul, e eu vou quebrando e comentando em preto. Foi difícil, viu... Vamos lá.

Olhando os testemunhos não vi nenhum relato de homem... gostaria de contribuir.. sou contra o aborto.. ok... mas culpar o homem é injustiça.. temos praticamente nenhum método anticoncepcional garantido enquanto a mulher tem vários, mas isso é problema da ciência.

É verdade. Camisinha serve pra encher e animar festa.

Meu relato: em 1995 estava noivo, devido a brigas e excesso de ciúme resolvi acabar com tudo, ela insistiu, insistiu tanto que ficamos de novo, mas a situação piorou mais..viajei e com quase um mês fora voltei e acabei definitivamente. Ela disse, você não pode fazer isso, porque eu estou grávida! Eu pensei: grávida? Agora? Mentira sua? Assumo o filho, mas não vou mas viver com você. Ela abortou.

Hum.

Em 1999, namorava uma mulher de 22 anos, insistia tanto para casar, noivar, mas eu não queria até que resolvi acabar, mas você não pode acabar assim, ela disse... por que não? porque a minha menstruação está atrasada... justo agora que a gente acabou você vem me dizer que está grávida... uma semana depois ela disse que estava tudo normal.

Hum.

A terceira... comecei um outro namoro, já em 2001, ela disse logo: não se preocupe com camisinha, eu não gosto e não posso engravidar tenho policistos, não se preocupe.. perguntei tem certeza? tenho, não se preocupe... ok... namoramos tudo sem camisinha, ela engravidou! Ela se sentiu tão mal que abortou e não me disse... chegou para mim e falou: descobri que posso engravidar, fiquei grávida de você, mas já tirei, você confiou em mim... acabamos o namoro.

Pera lá, pô. Terceira vez? E, nas três vezes, o coitadinho não sabia de nada? Na terceira vez a mulher falou pra ele não se preocupar com camisinha (como se ela só prevenisse gravidez), mas e nas outras duas? Ok, o benefício da dúvida, né. Ele deve ser um azarado.

A decisão de ter um filho é uma decisão de duas pessoas, não de uma... acidentes acontecem.. ok.. uma menina de 15 anos ou mais nas primeiras relações é aceitável, mas mulheres maduras de 25 anos... dizer que engravidou por acidente é mais difícil acreditar, não é impossível, mas é difícil...

Como assim? Pera lá. O rapaz não usa camisinha, mas a responsabilidade por ter engravidado é da mulher? Pior: a CULPA é da mulher? Se a mulher é inexperiente, é ACEITÁVEL que engravide por acidente, mas uma mulher “madura” de 25 anos, aí é “difícil de acreditar”?

eu estava casado, sem filhos, começamos a brigar muito, pedi a separação, ela não aceitou, insistiu, pediu tempo, eu não agüentava mais a relação, dois meses depois ela disse: estou grávida...ai depois dizer que não teve apoio do homem e por causa disso abortou, ou seja, colocar a culpa nos outros, gostaria muito de uma pílula masculina para acabar de uma vez com isso...

QUARTA VEZ? QUARTA VEZ??? E “colocou a culpa nos outros”, dizendo que o homem não dava apoio. QUARTA VEZ. Será que ele nem desconfia que o problema PODE estar com ele? Sei lá, de repente ele não só não dá apoio, como ainda estimula a mulher a abortar. De repente, com algumas atitudes inconscientes, tipo deixar a agenda de telefones aberta na página “Clínica de aborto” depois da mulher ter dado a notícia. Quem sabe...
E ele gostaria de uma pílula masculina pra acabar de uma vez com isso... Pq a camisinha não serve, né. Vai ver ele é religioso, e a Igreja manda não usar camisinha. Tudo bem que a Igreja manda não fazer sexo fora do casamento, mas essa parte não importa, não é mesmo? QUARTA VEZ!!!!

o aborto é um problema grave, sou contra, mas a mulher tem o direito de fazer o que quiser,

Hahaha, é como dizer: as drogas são um problema grave, sou contra, mas, quem quiser usar, que use. E veja bem: a MULHER tem o direito de fazer o que quiser. Ele não tem responsabilidade nenhuma. Foi a mulher. Assim ele dorme com a consciência tranqüila...

olhando o mapa do aborto no mundo, por que a maioria dos países ricos permitem o aborto enquanto a maioria dos países pobres não permitem? Onde está a diferença? Os países ricos são ruins e os países pobres são bons?

É uma mentira que a maioria dos países pobres não permitem e a maioria dos países ricos permitem. Não existe tal relação.

Você gosta de ver uma criança descalça, suja pedindo esmola em um sinal? Você ajuda ou você faz que não ver? Se você não ajuda e é contra o aborto, desculpe, é hipocrisia...

Hipocrisia pq? Quer dizer que se o aborto fosse liberado, aquela criança não existiria, é isso? Essa relação também é bem quadrúpede, tanto quanto a dos países, acima. A menos, claro, que a pessoa esteja sugerindo que a mão forte do Estado seja usada para impedir que os pobres tenham filhos. Pq, enquanto as pessoas tiverem escolha, ainda mais num país religioso, a maioria continuará tendo o filho e depois o abandonando. O que permite concluir que o problema das crianças desamparadas não está na possibilidade do aborto. Eu acredito que é na educação, principalmente. Educação não da criança. Dos pais. Mas é a minha opinião.

Sou contra o aborto, mas a minha opinião é apenas uma opinião, acho que o Estado deveria rapidamente legalizar o aborto e acabar com a hipocrisia...

De novo: é como dizer: eu sou contra as drogas, mas o Estado deveria rapidamente legalizá-las para acabar com a hipocrisia. Não dá pra levar a sério alguém que não SE leva a sério. Se ele acha que a própria opinião está errada, ou é maluco, ou é burro.

Quem vai dar assistência para a criança? O Estado? A igreja?

Argumento mais idiota...

Uma cunhada minha, pobre, teve que passar por três maternidades para poder "dar a luz"... a bolsa estourou, foi em uma, aqui não pode, foi em outra, também não, na terceira, iniciou o trabalho de parto no corredor... Onde estamos com tamanha hipocrisia?

O que isso tem a ver com o assunto? A historinha deixa a situação dele até pior: ora, se a saúde pública está tão ruim que cometeram o crime de recusar uma mulher grávida que estava dando a luz, pq ele acha que dariam prioridade no atendimento de alguém que quisesse abortar? Ora, por esse raciocínio, provavelmente a gravidez já teria 9 meses quando fossem realizar o aborto.

Se a mulher quiser abortar, ok, temos que prestar assistência médica e psicológica...

Ah, temos é? Meu amigo, se a saúde pública é ruim para atender uma grávida numa situação de emergência, pq funcionaria para prestação de assistência médica E psicológica?

é a consciência dela que vai sofrer depois... não é a minha... cada caso é um caso, sou contra o aborto rotineiro, mas em algumas situações é um decisão dura, mas as vezes é a única.

Hahahahha. Ai meu deus. Depois o hipócrita é quem é contra e não ajuda as criancinhas...

Recentemente vi em um jornal: "doméstica presa por praticar aborto"... por que eu não vi?: "empresária presa por praticar aborto"... ou será que o aborto é coisa de pessoas pobres? Com certeza não é.. existe aborto em todos os meios da sociedade, mas uma vez, hipocrisia!

Ora, talvez pq uma empresária não tenha praticado aborto. E, se estivesse, estaria cometendo um crime igual a essa doméstica. E, se ela não está sendo punida, deveria estar. Não se obtém um acerto com dois erros. Pensando assim, deveríamos legalizar o assassinato, já que existem assassinos ricos que não são condenados, já que nos jornais só se vê pobres sendo presos, etc, etc.

Pra resumir, o rapaz é contra o aborto, mas acha que ele deveria ser liberado. Ele não usa camisinha, mas acha que a culpa da gravidez é da mulher. Os argumentos dele são essas historinhas de gente que não obteve atendimento médico quando precisava (e, se a mulher tivesse abortado, não precisaria do atendimento médico, entenderam?); de gente pobre que é presa cometendo um crime (e gente rica não é presa, então deveria logo ser liberado); de gente que não ajuda criancinhas e é contra o aborto (ora, se a mãe tivesse abortado, a criancinha não existiria e não precisaria ser ajudada). É gente idiota assim que acaba fazendo com que gente que tem bons argumentos seja rotulada como “egoísta”, como “contrário à vida”, etc, etc.
Às vezes acho que esse tipo de coisa é escrito de propósito por gente que é contra o aborto, só pra desmoralizar quem é a favor. Mas depois lembro que a imensa maioria das pessoas é simplesmente imbecil...

18 agosto 2009

Aborto de célula-tronco

Muito bem. O povo de deus brigou e conseguiu, em muitos lugares, inclusive no Brasil, impedir a clonagem terapêutica. O povo de deus conseguiu que se reconhecesse, em muitos lugares, um óvulo fertilizado como um ser humano. Há muita gente por aí afirmando que o aborto é um assassinato, considerando, portanto, que o embrião é um ser humano. Tudo muito bem.

Há um ano, mais ou menos, alguns cientistas conseguiram induzir células especializadas a reverterem para células-tronco. Os religiosos bradaram, felizes, que agora não havia mais justificativa para utilizar as células-tronco embrionárias (o que destruiria um embrião, ou seja, assassinaria um ser humano). Alguns cientistas tentaram dizer que não era a mesma coisa, que a CTE não era indispensável, pelo contrário, mas nesse momento os louvores a deus estavam muito altos e os religiosos não ouviram. Tudo muito bem.

Há um mês, mais ou menos, os mesmos cientistas do parágrafo anterior conseguiram transformar células já especializadas em nada menos que um embrião. Ora, significa que seria possível criar um novo ser humano sem a necessidade de células de mais de um doador. Mais: sem a necessidade de óvulos. E agora? O que os religiosos dirão? Veja: se "matamos" células de qualquer lugar do corpo, ninguém acha um absurdo, exceto pelo embrião. A justificativa: o embrião é a POSSIBILIDADE de um ser humano. Outras células não se transformam num ser humano. O embrião sim. Repito: e agora? O que dirão os religiosos, já que essa descoberta significa dizer que QUALQUER CÉLULA do corpo humano pode sim se transformam em um ser humano, como um embrião.

E agora? Como será a elasticidade lógica, dessa vez? Será que vão querer proibir agora QUALQUER pesquisa sobre reprodução humana? Faria sentido...

29 maio 2008

Célula tronco (?)

Bom, eu já escrevi tudo isso aqui sobre o aborto. Mas agora, com todo esse papo sobre as pesquisas com células tronco embrionárias e tal, preciso relembrar uma coisa aos que acham que um embrião É um ser humano, que os direitos dos seres humanos devem ser extendidos às células humanas, etc:

Pois bem, o casal vai a uma clínica para fazer um tratamento para ter filhos. A clínica recolherá espermatozóides e óvulos, e, em laboratório, dar-se-á a concepção de vários embriões. Alguns deles serão plantados no útero da mulher, e outros não. Os que não forem serão:
1 - jogados fora
2 - utilizados em pesquisas

Ok, assumindo que o embrião é um ser humano e tem o direito à vida, como querem os padres e afins, utilizá-lo em pesquisa é errado, é o mesmo que utilizar seres humanos como cobaias. Só que jogá-los fora não fica muito atrás. Seria o mesmo que jogar bebês no lixo. Qual a solução, então, para esses embriões que não são utilizados? Obrigar o casal a ter todos aqueles "filhos"? Ou, ainda, proibir a fertilização in vitro (assim não haverá a 'criação' de 'seres humanos descartáveis')?

11 março 2007

Pergunta interessante

Recebi um comentário com uma pergunta interessante, que já me foi feita várias vezes nas discussões que participei, mas não falei sobre aqui, ainda.

A mensagem foi a seguinte:
Oi André! Queria saber o que você pensa sobre:
O punhado de células que vai ser descartado não se transforma em ser humano?

Olá Dede! Então, a resposta é sim e não. Quando estamos falando de futuro, apenas podemos especular, imaginar, suspeitar, etc. Nunca teremos certeza, pois estamos tratando de possibilidades.

Se, com toda a certeza absoluta, alguém pudesse dizer que aquele montinho de células VAI se transformar em um bebê, eu pensaria melhor a respeito (não digo que mudaria de idéia, mas poderia repensar, ao menos). Mas ninguém pode afirmar isso.

Ninguém sabe, com toda a certeza, que o bebê irá nascer. Poderia acontecer um aborto espontâneo. O bebê poderia nascer sem cérebro. Coisas assim. Não são sequer improváveis, quanto mais impossíveis. Ou seja, a sua pergunta só pode ser respondida estatisticamente: há possibilidade de que o montinho de células se transforme num ser humano. Mas, por outro lado, tbm há a possibilidade de que não se transforme. Traduzindo da estatística para uma resposta objetiva, teremos algo estranho: sim e não ao mesmo tempo.

De qualquer forma, usando esse raciocínio de julgar/decidir sobre o presente baseando-se no futuro, poderíamos concluir também que sequer a camisinha deveria ser utilizada, pois aquele espermatozóide que ficou preso nela teria chances grandes de se encontrar com o óvulo e formar um ser humano. O mesmo vale para pílulas anticoncepcionais, contraceptivos de emergência (pílula do dia seguinte), masturbação, etc, etc.

Usando esse raciocínio estaremos, em primeiro lugar, criando falácias. Em segundo lugar, nos aproximando perigosamente de concluir que quem está mesmo certa é a igreja. Melhor não, hein!

09 março 2007

Defendendo uma causa simpática - Epílogo (?)

Comentário:
Uma adolescente de 17 que transa e não se previne a ponto de engravidar de certa forma desejou transar e escolheu assim, mesmo que imaturamente e mesmo sem saber que desejou -inconscientemente- a gravidez.
Uma mulher estuprada não escolheu transar, nem escolheu o parceiro. ISSO FOI IMPOSTO por força física, armas, ameaças etc.
Então, como se trata de uma imposição ao sexo e a uma possível gravidez, acho coerente sim o aborto.
Uma coisa é uma adolescente que conhece um rapaz, transa, engravida mas sem ser sob ameaça de morte... outra coisa é uma mulher estuprada e ameaçada de morte caso reaja a isso...

Concorda que nesses exemplos existe a diferença da IMPOSIÇÃO AO FATO?

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Resposta a um ótimo comentário de Morgana

Ei, nunca vou jogar leitor qualquer pela janela. Imagina, se até os maus leitores, os que não tem nada a acrescentar e tentam de toda forma me atacar são bem-vindos (aumentam o número no contador de visitas), você acha que bons leitores, que participam, que entendem, que, no máximo, atacam a idéia (e não eu, o portador da idéia) seriam expulsos? :-)

Enfim, você fala sobre a adolescente de 17 anos que não se previne por desejar, ainda que inconscientemente, engravidar. Certo, concordo. Mas e aquela que se previne, mas a camisinha rompe? Ou a pílula falha?

Ok, mas nesse meu caso eu estou mudando o exemplo que você deu, certo? Vou pedir permissão p/ me intrometer um pouco numa área que admiro muito, mas não conheço tanto: a psicologia/psiquiatria. A mulher que é estuprada, evidentemente, o é mediante grave ameaça. Entretanto, da mesma forma que a adolescente pode desejar engravidar, mas esse desejo fica oculto, e conscientemente ela jamais quereria isso, será que, numa analogia, a mulher que é estuprada não sabe que corre esse risco ao andar sozinha por um lugar perigoso e, inconscientemente, não desejaria isso (e por isso não se protege, não busca outro caminho)?

Concordo que meu exemplo pode parecer grosseiro. Ora, quem iria querer ser estuprada. Mas, por outro lado, se o inconsciente é bastante poderoso a ponto de fazer uma menina de 17 anos se descuidar mesmo que conscientemente ela não queira engravidar, e sabe que isso pode destruir sua vida, pq ele não poderia ser poderoso o suficiente p/ 'facilitar' o estupro, sei lá, num momento em que a mulher se sinta rejeitada, sinta que ninguém olha p/ ela, se interessa por ela?

Mas, de qualquer forma, o assunto do aborto deve ter com foco na gravidez, e não em como ela ocorreu, se foi num motel, num carro, na rua, na chuva, na fazenda... Digo isso, entre outros motivos, pq o mote anti-aborto é a defesa da vida, e a vida do filho do estuprador é tão 'vida' quanto a do filho dos adolescentes pobres, e quanto a do filho dos adolescentes ricos, etc.

Aborto - Defendendo uma causa simpática (Parte 2 de 2)

(continuação do post do dia 08/03/2007)

Na verdade, isso me incomoda um pouco. Uma discussão pode ser algo estranho, e é difícil manter uma linha única de raciocínio, então eu geralmente fico incomodado, mas aceito a mudança. Então, perguntador que sou, questiono o motivo de o sexo consensual ou não ser o que define se o bebê vai viver ou não. Ouço que são coisas diferentes. Ah tá, agora sim.

Pq no sexo consensual as pessoas sabem que existe o risco de engravidar mesmo se se protegerem (menos de 1%, mas existe), então se mesmo sabendo do risco (baixíssimo) as pessoas fazem sexo, devem se responsabilizar caso aconteça algo inesperado. Na verdade, esse argumento serve mais ao debate da abstinência do que ao aborto. Mas é uma questão até engraçada, pois mesmo assim dá p/ traçar um paralelo entre as duas situações (sexo consensual e estupro): e a mulher que sai de noite em lugar perigoso, não sabe que existe o risco d'ela ser estuprada? E (usando a mesma lógica) se ela, mesmo sabendo do risco, sai pra rua, então deve se responsabilizar caso aconteça algo que não estava esperando (tecla SAP: estou RIDICULARIZANDO o argumento anterior, e não enaltecendo este. Preciso dizer que sou contrário a ambos?).

Bom, o lance é que sendo o sexo consensual, envolvendo proteção adequada, e o método falha, o que fazer? Responsabilizar duas pessoas p/ o resto da vida, sendo que elas podem não estar preparadas para o que vem pela frente? Sendo que isso pode destruir a vida de ambos, da mesma forma que uma mulher estuprada que engravida?

Vejam que num debate não dá p/ ficar só pegando as 'partes fáceis'. Vamos falar só de 'adolescentes irresponsáveis' (punição), estupro (absolvição), e pronto? E os outros casos? Acidentes, por exemplo? E no caso de pessoas paupérrimas, que mal têm condições de se manterem? E no caso dos adolescentes não serem nem conhecidos? Nem amigos, nem namorados, nada? A criança não terá pai (assim como no caso do estupro), a mãe pode rejeitá-la (assim como no caso do estupro), enfim, se analisarmos bem, são casos parecidos.

A diferença é que um gera simpatia pelo aborto, pois coloca o foco no momento do sexo forçado (coitadinha da mulher, ela sofreu, blablabla), e o outro gera antipatia, pois coloca o foco na irresponsabilidade e no prazer que o sexo gerou, portanto não há um 'coitadinho'.

Vcs vêem como a situação do debate acaba caindo no problema da empatia, que Rousseau já tinha observado sobre a caridade? Se alguém sofre, isso gera uma empatia (pode acontecer com vc), e vc se comove. Mas se ninguém sofre, pelo contrário, se todos estão tendo prazer e vc está se ferrando, vc fica é puto da vida! Pautar discussões por esses sentimentos é não sair do lugar.

08 março 2007

Aborto - Defendendo uma causa simpática (Parte 1 de 2)

É muito fácil defender uma causa que traz simpatia. É muito fácil dizer que é contra o aborto quando os envolvidos são adolescentes 'irresponsáveis' (nem importa se foi algum acidente ou foi irresponsabilidade msm, vamos crucificá-los!). É muito fácil fazer o discurdo de defesa da vida humana e aproveitar p/ passar sermão, dizer que as pessoas precisam arcar com as consequências de seus atos, blablabla.

Tudo isso gera simpatia. Enquanto o bonitão está lá dizendo tudo isso, todo mundo balança a cabeça positivamente, aprovando cada vírgula. Aí chega uma parte espinhosa: e em caso de estupro? P/ manter a simpatia, o cidadão diz ser a favor neste caso, pois a mulher não quis, foi obrigada, portanto não precisa arcar com consequência nenhuma. Ok, tudo muito simpático, mas o que me importa é a lógica. Ora, mas e a defesa da vida?

Aí, ouço muito por aí, sabem, dizem que no caso do aborto é diferente (odeio quando usam o argumento 'é diferente', pois normalmente quem diz isso nunca consegue mostrar, de forma lógica, qual é a diferença). Dizem que a criança poderia destruir a vida da mulher (destruir no sentido de que a vida dela mudará completamente, e de forma inesperada e indesejada), que a criança será indesejada, blablabla. E eu, que não entendo direito o mundo e por isso pergunto bastante, fico curioso: ora, mas e a menina de 17 anos que gostaria de cursar uma faculdade, conseguir uma bolsa de estudos no exterior, aproveitar sua juventude? A vida dela tbm não será destruída (no mesmo sentido anterior)? A criança não será indesejada? Enfim, tudo igualzinho. Ah, mas ser contra aborto até mesmo em caso de estupro é coisa de reacionário, não é simpático, as pessoas vão balanças a cabeça negativamente... (Na minha opinião, seria o mais lógico por parte de quem se diz a favor da vida, pois se a pessoa for a favor da vida somente quando a causa é simpática, então ela não é REALMENTE a favor da vida).

Claro que nesse ponto da conversa, eu vou ouvir um 'é diferente, André'. E aí um amigo meu, nesse ponto, me surpreendeu. Ele me deu um argumento que eu nunca havia escutado antes. Na verdade, logicamente não funcionou bem: ele mudou o foco da conversa. O foco, de GRAVIDEZ INDESEJADA (e possibilidade de aborto), passou a ser o sexo. Dizia ele que quando há sexo consensual e gravidez, é uma coisa, e quando há sexo forçado e gravidez, é outra (até então o foco era a gravidez, percebem?). Agora não importa mais a vida humana, o que importa é punir responsáveis.

(continua amanhã)

02 março 2007

Aborto - Falácias favoráveis

É difícil encontrar quem defenda o aborto, pois existe o preconceito de chamar de 'contra a vida' quem é favorável à liberdade de escolha. Até aí tudo bem, pois o ser humano é preconceituoso mesmo, e não aceita facilmente opiniões contrárias (mas isso não é ruim, pois se não fosse esse mecanismo de preconceito ao que é diferente, a raça não sobreviveria; é um impulso animal de proteção). O que me espanta são os motivos das pessoas que se declararam, em minhas discussões, favoráveis ao aborto.

São motivos falaciosos, umbiguistas, isso quando não descamba p/ 'eu sou mulher, eu que entendo o que é carregar um filho 9 meses na barriga', e isso pq a pessoa que me disse isso nem filho tem. Argumentos do tipo 'a mulher é quem deve decidir' são comuns, mas falaciosos. Pq deve ser uma decisão da mulher? O filho não é feito apenas por ela. Ok, ela vai carregá-lo durante os 9 meses, mas isso não lhe dá poder de decidir sobre vida e morte. Se ainda fosse uma decisão do casal...

É difícil p/ mim falar contra o aborto, pois eu tenho tendência a ser a favor, já que sou a favor da liberdade total do cidadão. Mas às vezes fica fácil, e vou me focar nisso neste texto.

Recebi de uma amiga um texto postado em um site de discussão sobre aborto. Esse texto foi escrito por um homem que se diz contrário ao aborto, mas acha que o Estado deveria 'rapidamente legalizar o aborto e acabar com a hipocrisia'. Reparem: ele é contra, acha que deveria ser liberado, e em TODO o texto dele, dá a entender a todo o momento que é a favor.

Ele conta que 3 (TRÊS!) mulheres já haviam engravidado dele e abortado. Dá uma de coitadinho o tempo todo: diz que as mulheres tem vários métodos anticoncepcionais e o homem não tem nenhum, diz que as mulheres que abortaram dele fizeram sem consultá-lo e isso deixava-o triste, pois elas não tinham esse direito, aí logo em seguida diz que é contra o aborto mas a mulher tem o direito de fazer o que quiser. Bom, se 3 mulheres engravidaram da figura e abortaram é pq boa coisa o rapaz não deve ser, não é mesmo? Quais as chances disso acontecer 3 vezes com uma pessoa? A menos que ELE tenha incitado as mulheres a fazerem isso.

E como assim, homem não tem nenhum método anticoncepcional? Fico me perguntando se quem escreve tanta asneira assim acha realmente que está ajudando com seus argumentos, e não percebe que, na verdade, está é atrapalhando quem realmente PENSA sobre o assunto e defende uma causa.

Agora, o segundo argumento mais engraçado é este: "Você gosta de ver uma criança descalça, suja pedindo esmola em um sinal? Você ajuda ou você faz que não ver? Se você não ajuda e é contra o aborto, desculpe, é hipocrisia...". Ou seja, se você simplesmente não ajuda as crianças na rua e é contra o aborto é hipócrita. Quer dizer que todas essas crianças deveriam estar mortas, e aí sim o mundo seria melhor, é isso? P/ que crescimento sustentável? Vamos matar todos os necessitados, ora! Bom, falando de forma pragmática, eu até concordo: se matarmos todos os mendigos da cidade, olhe só, nossa cidade não terá mendigos! Se matarmos todos os pobres, nosso IDH vai p/s alturas! E aí, que tal a idéia? Ridícula, não?

P/ finalizar (isso pq eu só peguei as coisas mais ridículas, pq o menino escreveu uma asneira por palavra, mais ou menos), ele questiona: "olhando o mapa do aborto no mundo, por que a maioria dos países ricos permitem o aborto enquanto a maioria dos países pobres não permitem?". Mapa do aborto? MAPA DO ABORTO? Tá, tá... Bom, basear sua opinião em falácias passa. Ele só é burro. Mas isso não é falácia, é mentira mesmo. O ÚNICO país rico que permite o aborto, que eu me lembre, é a Holanda (que, aliás, permite tudo!). Recentemente Portugal fez um referendo e também vai liberar. Ainda assim, é o segundo. EUA, Alemanha, Inglaterra, França, Japão, Itália (só aqui eu já devo ter falado de 97% da riqueza mundial) proíbem o aborto.

Olhem, juro que esse texto poderia ser gigante se eu tomasse cada idéia ridícula que li no comentário do rapaz que é contra o aborto mas acha que deveria ser legalizado e comentasse uma a uma. Mas tenho mais o que fazer. Ainda vou falar melhor sobre a guerra dos sexos.

Leiam o texto do minino (com i mesmo), na íntegra, e digam se eu tô exagerando...

21 fevereiro 2007

Aborto - Críticas gerais aos contrários ao ato

A questão do aborto é, primordialmente, uma questão de vida, e isso é óbvio. O que não é óbvio é de qual vida estamos tratando. Explico-me melhor: não existe nenhum grupo de defesa da vida das pobres células que são extirpadas no tratamento de câncer, ou na retirada de qualquer órgão do corpo. Ou seja, falando sobre aborto, estamos tratando da vida de um ser humano propriamente dito, e isso nunca fica claro, pois o mote da defesa da vida é somente isso: "defesa da vida", sem maiores explicações.

Todo o parágrafo acima foi praticamente inútil, pois não acrescentou muito à discussão. Entretanto, serve para explicar melhor uma coisa: quando é que devemos considerar aborto igual a assassinato? Para responder esta questão, outra surge: quando é que devemos considerar que um feto É uma pessoa?

É hipocrisia dizer, como dizem alguns grupos contrários ao aborto, que a vida humana começa quando há a fecundação. Não, me desculpem, mas não dá p/ dizer que um montinho de células é uma pessoa. Não é.

Também sou contra a argumentação das possibilidades, que ouvi falar durante minhas discussões, que diz que se há a possibilidade de surgir um ser humano, então esse montinho de células já deve ser tratado como tal. Apesar dessa argumentação me parecer bastante sóbria, acho que é impossível tratar as coisas pelas possibilidades: Ora, se for assim, então devemos abolir logo o uso das camisinhas, pois estamos impedindo que haja a possibilidade de um ser humano existir.

Vejam, o não-uso da camisinha não implica no surgimento do bebê, apenas previne que essa possibilidade aconteça. Analogamente, o aborto não implica na morte de um bebê, apenas previne que essa possibilidade aconteça, pois quando um aborto acontece, é justamente da POSSIBILIDADE. Não temos como saber se se a gravidez prosseguisse, o bebê nasceria normalmente, ou se aconteceria um aborto natural, ou se ele nasceria sem cérebro, etc.

Essa argumentação a respeito das possibilidades, na minha opinião, só pode ser realmente defendida se a pessoa também for contra o aborto sob qualquer possibilidade, inclusive estupro e risco de morte à mãe.

Ora, a defesa da vida, como esses grupos se auto-denominam, não pode ser defesa da vida sob determinadas circunstâncias. Ou defende-se a vida, ou não. Se não fica até fácil discutir: ora, você acha que o aborto não deve ser permitido pois a criança não pode deixar de ter a oportunidade de viver por causa de um erro cometido pelos pais, certo? Nesse caso, essa mesma argumentação se aplica ao estupro, por exemplo: o PAI cometeu um erro, não a criança.

Quem diz que defende a vida não pode ser hipócrita de defendê-la só quando é fácil, quando é um casal de adolescentes que 'faz o que não deveria faz' e precisa arcar com as consequências de seus atos. É preciso defendê-la sempre, mesmo nos momentos difíceis, quando o estuprador mata a família inteira da menina, a mantém em cárcere privado, obrigando-a a manter relações sexuais, etc e tal. A culpa não é do bebê.

Obs.: já falei minha opinião sobre o aborto. Sou a favor, enquanto o feto não for efetivamente um ser humano. Ou seja, basta definirem quando um feto é um ser humano e quando não é. Por isso mesmo, sou a favor de aborto em caso de estupro, desde que aconteça enquanto o montinho de células sequer tem a forma humana (ou seja, ainda não existe um ser humano, apenas uma possibilidade).

Também não acho que quem é a favor do aborto seja contrário à vida. Basicamente, a vida nunca precisou de ninguém p/ defendê-la. Não é agora que precisa. Quem é a favor do aborto está apenas em um dos lados de uma discussão ainda não definida, e acredito que o interesse dessas pessoas não seja sair matando todos os bebês por aí e acabarem com a vida no planeta. Acredito que o interesse dessas pessoas também é a defesa da vida, já que sobreviver não é viver, e todos sabemos quantas crianças existem por aí que sobrevivem, ao invés de viverem.

Continuarei falando sobre a fé cega de quem defende o aborto, gente que eu não entendo, que acha tudo muito prático e simples, ou leva tudo para a guerra dos sexos.

09 fevereiro 2007

Aborto - Posição do clero

Aborto é o cancelamento de um processo que já estava em andamento. No caso, a gravidez. Em muitas das minhas discussões percebi pessoas que falavam como se fosse um simples processo cirúrgico (obviamente não estavam analisando as possibilidades), algumas outras inevitavelmente acabavam caindo na guerra de sexos, e, por outro lado, algumas citavam a santa igreja que diz que deus não gosta disso então não pode.

Vou começar pelo mais fácil de desprezar: os conceitos cristãos.
Bom, resumindo, deus nos deus livre arbítrio, então o problema é meu se eu quiser matar alguém, pois essa pessoa irá mais cedo p/ casa de deus (se for uma boa pessoa) ou p/ o inferno (se for uma má pessoa). Se falamos de uma criança, acreditaremos que ela irá p/ o céu. Ou seja, p/ o morto, morrer não terá sido ruim. Por outro lado, eu irei p/ o inferno pagar pelo crime por toda a eternidade. Então se todas as partes saem ganhando, qual o problema?

Ah, claro, os egoístas que ficam por aqui, que não aceitam o fato de alguém ir p/ companhia de deus. Engraçado isso: a pessoa diz que deus é bom, que quando as pessoas morrem vão p/ companhia dele (vcs, os bons, não o semi-ateu aqui). Mas quando a pessoa morre, fazem o maior escarcéu, querem condenar quem o matou, etc. Pensando logicamente, deveriam é fazer uma festa e dar uma medalha p/ o assassino.

Voltando ao assunto, se existe o livre arbítrio (ou seja, deus em pessoa/alma/o que o valha nos deu liberdade), pq alguns querem impedir os outros de fazer o que quiserem? Estão tirando a autoridade de deus, é isso? Deixa quem quiser abortar, abortar ué, depois eles se entendem com o divino.
Obs.: Não estou dizendo que SOU A FAVOR do aborto. Estou apenas sinalizando que a posição contra o aborto do clero não condiz, logicamente, com a idéia do livre-arbítrio. Mas quem disse que religião tem a ver com lógica, não é mesmo?

Claro que ninguém é realmente cristão. Falam que são pq é conveniente ser o cristão atual, que não segue a bíblia, mas vive falando bem dela. Vai lá fazer seu sacrifício de pombinhas e bodes e carneirinhos fofinhos todo dia p/ ver como é seguir a bíblia de verdade... Ah, aí não vai né? Aí inventa alguma desculpa: "ah, mas essa parte da bíblia é antiga, não precisa mais fazer pq Jesus morreu na cruz por nós..." E daí? Ele não disse p/ não fazer mais o que estava na bíblia. Conveniente, não?

(Ok, me empolguei, mas na continuação volto ao assunto inicial!)

06 fevereiro 2007

Aborto - Introdução

Bom, neste post pretendo fazer um apanhado geral sobre minhas percepções, e citar os rumos que pretendo tomar sobre o tema.

É um tema polêmico, e agradeço as opiniões que chegaram a mim, tanto pelos comentários, quanto por discussões 'por fora'. Adiantadamente, peço desculpas aos que se sentirem ofendidos, já que serei duro com algumas opiniões.

Algo que pude notar nesses debates que tive é que quem era a favor do aborto me considerava contra, e quem era contra me considerava a favor. Na verdade, em todos os momentos tentei ser neutro e apenas perguntar. Isso pq não tenho, até agora, uma opinião formada sobre o assunto. Na verdade, tenho como concordância de ambos os lados duas premissas:
1 - Matar um ser humano é errado
2 - Um punhado de células não é um ser humano

Essas duas premissas serão o norte dessa discussão, e serão melhor explicadas no decorrer dos diversos textos que publicarei.
Qualquer discordância tanto sobre as premissas quanto sobre qualquer conclusão que eu tire delas, manifeste-se, leitor! Sua opinião será muito bem-vinda.

Entremeados ao debate propriamente dito, existirão comentários sobre as idéias das Igrejas, associações civis, e, claro, as minhas próprias opiniões, como um liberal que acha que o Estado não tem que se meter nas escolhas dos particulares, muito menos qualquer religião se meter na vida do Estado.

Obrigado pela paciência, e este texto abre a rodada sobre o aborto. Até o próximo tópico!