14 março 2009

Onde esse mundo vai parar?


Uma coisa tão chocante que merece a home do Terra.
Saudade dos tempos em que essa piranhada era tudo atéia, né não?

13 março 2009

A Excomunhão - II

Este blog nunca chegou num nível tão baixo. Mas é preciso. Vou comentar uma declaração de um dos brothers mais famosos do Brasil por 15 minutos. Mas só vou fazer isso pq é um pensamento recorrente, então vai mais pelo exemplo do que pela pessoa em si. As declarações que seguem foram feitas no programa da Ana Maria Braga.

Primeiro, o Max falou:
"Eu consigo entender por que ele [o bispo] assumiu essa posição. É igual ao uso da camisinha. A igreja católica prefere que as pesssoas peguem aids do que usem camisinha. Por isso eu não sou católico e não consigo entender muitas coisas que são defendidas. É muito arcaico".

Depois: "Às vezes, o padrasto nem sabia o que estava fazendo".

Daí a Ana respondeu: "Que 'mané' não sabe o que estava fazendo? O arcebispo é uma pessoa muito inteligente para excomungar as pessoas. Pressupõe-se que a igreja é uma instituição que acolhe, inclui as pessoas. Não que exclui".

É mais do que lamentável. É ridículo. É risível. Quer dizer que a igreja prefere que as pessoas peguem aids do que usem camisinha? Essa eu não sabia. Que eu saiba, a igreja prefere que os seguidores não façam sexo. E, sem fazer sexo, dificilmente se pega aids, não? Ok, o pensamento da igreja até pode ser arcaico, mas ela tem todo o direito de pedir A SEUS FIÉIS que façam x ou y. Só que entre ser arcaico e ser mentiroso, eu fico com o arcaico. Pelo menos, é honesto.

Não por acaso, é dele a frase mais impressionante, de que o padrasto que estuprou uma menina não sabia o que estava fazendo! É verdade. Vai ver ele achou que estava andando de bicicleta, aí quando viu, já tinha ido! Vai ver ele é sonâmbulo, vai saber...

Enfim, e, pra completar, o comentário da Ana é bem idiotinha. Pressupõe-se que a igreja acolhe, inclui as pessoas. Pressupõe-se, é? Bom, que eu saiba, essa pressuposição só faz sentido se também for pressuposto que as pessoas que serão 'incluídas' sigam as regras da igreja. Não faz o menor sentido a igreja dizer: "olha, nós condenamos veementemente o aborto em qualquer situação; para nós, aborto é o pior crime de todos, pois ataca uma criança mais do que indefesa" (não estou nem discutindo a validade dessa afirmação; eu mesmo discordo dela, mas é o que a igreja diz e pronto), e acolher quem faz abortos! Além do quê, não precisaria nem falar, mas não foi o bispo que excomungou a equipe médica. A excomunhão é automática. O bispo só comunicou.

O que me deixa mais surpreso é que existem tantas boas razões para ser contra a igreja. Pq inventar mentiras? Ao contrário da intenção de quem fala essas bobagens, isso acaba é fortalecendo a igreja, já que é facílimo demonstrar a mentira, e aí a igreja posa como santa. Como são ridículas as pessoas que falam do que não sabem...

09 março 2009

Um longo texto (começando pelo título) derivado de correspondência filosófica

"Acho que e-mail tem suas limitações, principalmente se ao invés de buscarmos esclarecer, a idéia for sempre refutar, o que eu particularmente acho que é mais coisa para o Direito do que pra Filosofia."
R: Bom, A República é feito praticamente de refutações, comentários, réplicas, tréplicas...


"O comunismo (...) foi imposto como uma ideologia dominante! E por isto usou os métodos já descritos [uso da força] como os daqueles que querem impor uma ideologia. Não lembro de ter citado esquerda, direita ou centro. Facismo, comunismo, sempre que alguém assume que seu ponto de vista e o bom e que todos terão de aceitá-lo temos a tentativa de dominação."
R: O comunismo foi imposto como uma ideologia dominante, por isso eu o citei. O que estava sendo dito anteriormente era que as ideologias se impunham, e eu discordei disso justamente mostrando que não foi o comunismo que se impôs, e sim uma minoria com o uso da força o impôs. Só usei o comunismo como exemplo, mas não acho que sempre que alguém assuma seu ponto de vista como o melhor etc. exista a tentativa de dominação. A tentativa de dominação só vai existir se esse grupo minoritário tentar utilizar a força para subjugar o grupo majoritário. Ora, o grupo minoritário sempre pode não querer influenciar o grupo majoritário, e, resumindo, ir viver sua vida em paz em alguma floresta por aí (existem muitos grupos que fazem isso)...


"Não conheço nenhum exemplo no mundo que não seja dominado por uma ideologia específica(ou uma mistura de algumas já conhecidas), acontece que Ideologia está mais para Heráclito do que para Parmenides(rs,rs) Dá derrota de uma nasce outra, entra em mutação e vira algo supostamente novo, mais sempre tentando se impor ( o que geralmente quer dizer: a vontade de poucos sendo imposta à maioria)
O individualismo não é uma ideologia, mas pode ser fruto de uma. É só entender as premissas básicas do capitalismo."
R: Esse é um dos meus principais pontos desde sempre! Capitalismo não é uma ideologia! O capitalismo não é nada mais do que o resultado de um grupo de indivíduos que pensam em si e nos que o rodeiam em primeiro lugar. Ou seja, o capitalismo é resultado do individualismo de muitos indivíduos, com uma certa ética que rege as relações. E repare que isso que eu falo não se aplica somente a humanos; podemos ver esse comportamento na natureza, e justamente por isso que eu falei que o "sentido natural" é o individualismo. A ética é que é o "anti-natural", a inovação humana, o que nos diferencia dos animais.


"A sociedade decide? Como? Com que filtros??? Baseada em que? Clodovil foi um dos picaretas mais votados numa das últimas eleições. Quem decidiu (coletiva ou individualmente ) decidiu por estar consciente e com o senso crítico em dia? Ou devido a total alienação e desconexão com seu papel social (por isto sindrome do looping). Decidiu sim, mas mal, muito mal.
Devido a tal letargia e ao 'nada vai mudar mesmo'. Então podemos chamar isto de decisão? Acha mesmo que estas pessoas estão afim de perpetuar este absurdo, porque decidiram algo? O que é decidir?"
R: É complicado, mas sim, a sociedade decide. Quais filtros? Cada um tem o seu. Quando falei "a sociedade decide", eu deixei claro que quero dizer que individualmente cada um decide e o resultado é a decisão "da sociedade". A sociedade não existe como um ente indivisível que toma decisões. Cada um tem uma motivação diferente para votar ou não votar em alguém, e isso é, por direito, problema particular! Dizer que alguém decidiu mal por ter decidido votar no Clodovil é ser arrogante e achar que você vale mais do que essa pessoa! Ora, vá perguntar a um eleitor do Maluf se ele não estava consciente e com o senso crítico em dia e veja o que ele vai dizer...

Todo nós somos alienados em certo sentido, pois não sabemos tudo. Ora, a pessoa que vota no Maluf pq o Maluf deu um emprego ao seu pai em alguma grande obra vai achar que você é um alienado por não saber que o Maluf é um empreendedor. A pessoa que votou no Clodovil pq julgou que ele nunca teve papas na língua e portanto ia botar pra quebrar no Congresso teve e tem todo o direito de achar isso e pronto, e é um bom motivo pra ela! De novo: é arrogância dizer que essas duas pessoas do exemplo votaram errado, que são alienadas, que não tiveram filtros, que não tinham senso crítico. Aliás, esse negócio de "papel social" é coisa de quem quer acabar com o individualismo. Felizmente (para quem acredita no individualismo, como eu), a imensa maioria das pessoas não pensa em "papel social". Pensa, sim, no que é melhor para si. E, cada um pensando no melhor para si dentro de uma determinada ética (para isso servem as leis), traz o melhor para o grupo.


"Como é possível uma decisão sem consciência plena das implicações da mesma?"
R: TODA e QUALQUER decisão que tomamos é feita sem plena consciência das implicações da mesma. Há sempre um fator a mais. Você pode decidir virar à esquerda e ser assaltado. Você tinha plena consciência do que implicava sua decisão? Se tivesse, provavelmente não teria escolhido virar à esquerda, certo?

As decisões que tomamos são sempre particulares. Quem vota no Maluf pq acha que o Maluf gera emprego com suas obras faraônicas tem um ótimo motivo. Quem vota no Clodovil pq acha que ele vai botar fogo no Congresso tem um ótimo motivo!! Assim como quem acha que o comunismo é melhor que o capitalismo, ou quem acredita na síndrome do loop (leia-se: acredita que a técnica, os avanços científicos, etc, são descolados do ser humano, e a crítica é quem aproxima, o que, na minha opinião, é falso) tem seus motivos pra acreditar nisso e, se acreditam, é pq os consideram ótimos motivos!

Perceba, e acho isso engraçado até, que esse papo de "ah, o povo não sabe votar" só surge quando quem está falando discorda do que foi decidido pelo povo. Lendo o que você escreveu, me lembrei da última eleição pra prefeito. Enquanto a Marta esteve na frente, só se falava bem do povo. Que o povo sabia o que era bom, que tinha lembrança da administração da Marta, etc, etc. Mas foi só ela ficar em segundo no primeiro turno que já começaram a mudar o discurso. Quando ela perdeu, aí sim começou o show: "o povo não sabe votar", "o povo é burro", "o povo não pensa", "o povo não tem memória". As MESMAS pessoas que diziam aos quatro ventos que o povo era bom passaram a dizer o inverso! Na boa, isso é ingenuidade ou má-fé.

Ora, eu também discordo de muitos dos políticos que estão eleitos, mas acho que o povo sabe muito bem em quem votar. Até pq, qual seria a alternativa? Uma ditadura? Uma teocracia?


"E, não estou julgando o mérito da questão. Não se trata de dizer qual ideologia é boa ou ruim. Trata-se de identifica-las. Refletir sobre. Descostruí-las através do penamento crítico. Ver o que é possível fazer e então agir, capisci?"
R: Sim, em momento algum o assunto enveredou por aí. Só discordei desse ponto a respeito de "ver o que é possível fazer e agir". Isso não existe, assim, dessa forma. Reitero: a não ser que haja massacres, perseguições, milhões de cadáveres, não há NADA possível a fazer. Não há ação a ser tomada. Claro que, partindo da idéia de que não queremos uma guerra civil.

As mudanças ocorrem vagarosamente, de geração para geração. Não é preciso esse "empurrão". Veja o caso da eleição do Obama, por exemplo. Ele é um negro que foi eleito presidente de um país que teve leis raciais, ou seja, racismo institucional. Mas a eleição dele não foi uma quebra de um paradigma, uma revolução; foi bem o inverso! A eleição dele é o resultado de pequenas mudanças que aconteceram em 4, 5, 6 gerações. A eleição do Obama não mudou a sociedade. A sociedade é que mudou, e, como resultado, houve a eleição do Obama. Quebra de paradigma ou revolução seria se um negro fosse eleito na época da vigência do racismo institucional. Só que isso seria paradoxal, e a história nunca é paradoxal. Afinal, oras, ela aconteceu!

Meu ponto, portanto, é que podemos, sim, identificar ideologias, refletir, etc. Mas somente como observadores da realidade, não querendo alterá-la. Quem teve essa segunda intenção, e teve meios para pô-la em prática, só produziu cadáveres. Aos milhões.

A Excomunhão

Mas com que direito essas pessoas vão criticar a Igreja por ter excomungado as pessoas que participaram do aborto da menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo pai? Alguém é obrigado a ser católico? Não, né? Então, se quiser ser católico, o mínimo que se pede é que se siga as regras da Igreja Católica, vejam só que disparate!

Quer dizer que se eu inaugurar o Clube das Cartolas de Oncinha (CCO), onde qualquer um pode se afiliar desde que use cartola de oncinha, eu não terei o direito de expulsar o rapaz que quer usar boinas de oncinha? Ele quer fazer parte de um clube de cartolas, mas usando boina???

"São os novos tempos" - diz ele, como se eu não soubesse - "e cartolas saíram de moda. Hoje a moda é boina!". Ora, e daí? Vá você fundar seu próprio clube de boinas! O meu clube é de cartolas, e é pra gente que gosta de cartola independentemente da moda! Ora, se eu fosse depender da moda pra direcionar meus dogmas (como gostar de cartolas), eu não fundaria nem faria parte de um clube de CARTOLAS! Eu faria parte de um Clube do Chapéu da Moda (CCM). Não é meu caso.

Até entenderia se todos fossem obrigados a fazer parte do clube de cartolas; se quem não gostasse de cartolas fosse perseguido e jogado na fogueira. Aí sim, você teria todo o direito de chiar. Mas não é o caso! Você tem mil outros clubes! O Clube Universal do Reino dos Chapéus, o Clube Chapéu de Neve Club, o Clube do Solidéu, o Clube do Turbante...

Na verdade, acho é que a mídia tá se importando com isso muito mais do que as próprias pessoas. Desconfio que se as pessoas fossem realmente católicas, elas não participariam daquilo por princípio, não sob ameaça. E digo mais: a igreja deveria agir assim SEMPRE! Em vez de um monte de padre ficar lá passando a mão na cabeça de índio, de invasores de terra assassinos, de ex-internos da Febem que ganham Pajero; em vez de ficarem fazendo greve de fome pra impedir uma obra, deveriam simplesmente dizer que quem é contra demarcação contínua de terras, quem é contra a invasão de terras, quem é contra dar Pajero pros outros; e quem participar daquela obra, vai todo mundo ser excomungado! A mídia deveria dar atenção quando eles, AO INVÉS DE excomungar, fazem as outras coisas que eu mencionei!

Mas sabe pq eles não excomungam sempre? Pq a maioria das pessoas só ia dar de ombros e continuar o que estava fazendo... E sabe pq, nessa história do aborto, eles excomungaram? Pq o Estado garantiu que a menina iria abortar e ponto final, e eles não tinham mais o que fazer...

Ou seja, são uns coitados que apelam pra esse negócio de expulsar do clubinho só quando é a única coisa que eles podem fazer. Mas, pô, isso é direito deles!
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Nada a ver com o assunto, mas é uma dúvida séria (direcionada aos religiosos): se foi deus quem fez cada um de nós, os cientistas, quando clonarem seres humanos, estarão pirateando ou deus é pelo código aberto?

Lei Seca II

Eu sei, faz tempo. Mas leiam o que eu escrevi quando aquela lei que iria salvar o mundo e resolver todos os problemas foi criada: "Lei seca".

Pois bem, não faz nem um ano. A mídia deixou de dar atenção ao caso, a fiscalização voltou ao que era antes, e, vejam só que curioso, as mortes aumentaram, os bares voltaram ao ritmo de antes, e quem não seguia a lei anterior não está seguindo a lei nova!

Uau, mas então não era a lei... Seria a fiscalização? Não sei, não sei... Talvez o Gilberto Dimenstein saiba. Talvez quem se apoiou nas estatísticas dizendo que o número de mortes caiu graças à nova lei saiba. Bom, agora que as estatísticas mostram o inverso, o que será que essas pessoas estão pensando? Em proibir o consumo, armazenamento, porte de bebida alcoólica em todo o território nacional? É, podiam fazer isso. Sem fiscalização, não ia mudar nada mesmo...

Afinal, vivemos no único país do mundo onde leis não servem pra ser fiscalizadas e respeitadas. Aqui lei é como a moda. Ás vezes pega... às vezes não pega...

20 outubro 2008

A culpa é mesmo do Exército

Ah, como não poderia deixar de ser, apareceu alguém que não leu o que eu escrevi, mas comentou como se eu tivesse escrito. É sobre o texto A culpa é do Exército. Vamos recapitular: eu afirmei que a culpa não era da INSTITUIÇÃO Exército. Eu afirmei que os soldados que entregaram os jovens não poderiam ser culpados de assassinar os jovens pq simplesmente não foram eles que fizeram isso, e sim os bandidos "donos" do morro. Eu afirmei que quando os bandidos matam, ninguém liga, como se fosse o natural, o normal. Vejam o comentário de alguém anônimo:

Peraí: se alguém joga uma pessoa na jaula de um leão e esse leão "por um acaso imprevisível da natureza (quem diria!?)" mata o dito cujo, a culpa é do leão?! Vc acha mesmo que esse pessoal de facção é um ser humano que nem vc? Vc acha que quem entregava "subversivo" à Gestapo não tinha culpa por eles acabarem morrendo de fome, frio ou câmara de gás? Vc acha que os soldados entregaram os rapazes aos outros bandidos porque? Para eles fazerem um piquenique? Para uma festa de reconciliação? Então quem paga um sicário não tem culpa pela morte de quem ele mandou matar? Não existe autor intelectual de crime... Vc vai acabar revolucionando o direito penal

Muito bem, vou responder:
1 - eu não falei de leões nem de outros animais irracionais. Se um animal mata uma pessoa, a culpa não é do animal, afinal o animal não sabe o que está fazendo. Já os bandidos sabem muito bem o que fazem.

2 - Definitivamente eu acho que qualquer "pessoal" são, sim, seres humanos. Se não fossem, seria mais simples: era só exterminá-los, como fazemos com ratos ou baratas. Ai, ai, depois eu sou sempre o radinal, o reacionário.

3 - Quem entregava os subversivos à Gestapo tinha culpa de...entregarem os subversivos à Gestapo. Você acha que o Getúlio Vargas é um assassino? Por mais que eu não goste dele, não acho que ele tenha sido o culpado pela morte de Olga Benário. O culpado pela morte de quem morria pelas mãos da Gestapo era a própria.

4 - Eu não acho nada. Eu acho que eles (os soldados, não o Exército) são, sim, culpados por não terem cumprido sua função constitucional e, sobretudo, por manterem contatos com bandidos. Mas foram eles que mataram? Não. O que eles fizeram estava de acordo com as regras da instituição? Não. Então a culpa da morte não é deles, e sim dos bandidos. Muito menos culpa tem o Exército.

5 - Autor intelectual existe sim. Mas os soldados não tinham poder sobre os bandidos. Em outras palavras, eles não mandavam nos bandidos, os bandidos não estavam a mando dos soldados, portanto não cabe o argumento de autor intelectual. Mas eles têm uma culpa sim, como eu já disse. Já a instituição Exército não.

6 - Não, senhor anônimo, não vou revolucionar o direito penal. Pelo contrário, estou é sendo conservador, estou apenas lendo o que está escrito na lei. Diferente de você, que leu o que NÃO estava escrito no meu texto. Aliás, você sequer entendeu o ocorrido, já que você fez comparações de leões (você sim estaria revolucionando o direito penal, considerando que os bandidos são como leões, cuja natureza é matar, portanto devemos achar isso normal), de mandantes etc. E o único objetivo do meu texto foi dizer que a Instituição Exército não teve a menor culpa nisso. Nem direta, nem indireta...

Mas esperar o quê? Veja nosso presidente...

16 outubro 2008

Pesquisa

Pesquisa - Os brasileiros e a corrupção
http://noticias.uol.com.br/especiais/corrupcao/enquetes/ult6789u2.jhtm

Esse blog deveria se chamar "Ai, ai, que piada". Eu falo pouco sobre deus e afins, não é mesmo? Mas é isso. Sobre deus não tem muito o que falar, afinal o conceito de deus não mudou muito nos últimos milhares de anos. Já o Brasil continua sendo um país engraçadíssimo, produzindo objetos de estudo para antropólogos o tempo todo... Fazer o que...

Vejam só:
83% dos entrevistados de São Paulo acham que interesse público é algo de responsabilidade de todos
74% dos entrevistados da Paraíba acham que interesse público é algo de responsabilidade do Estado.

Não curiosamente, qual é mesmo o estado mais rico, mais avançado, mais bonitão e elegante? Até aqui, vá lá, não chega a ser uma contradição. O engraçado mesmo é isso:
Pensando nos últimos cinco anos, essa prática (a corrupção) no Brasil:
Aumentou muito - 54%

Próxima questão:
Qual das frases é mais parecida com sua opinião?
O que aumentou não foi a corrupção, mais a apuração dos casos escondidos - 75%

Vamos supor que TODOS os que não votaram naquela alternativa da primeira questão achem que a corrupção não aumentou. São 46%. Ou seja, num país lógico, a segunda questão não poderia ter, para aquela alternativa apresentada, mais do que 46%. Mas estamos no Brasil, e por aqui pelo menos 29% dos entrevistados acham que a corrupção aumentou muito AO MESMO TEMPO que acham que a corrupção não aumentou, mas os casos escondidos estão aparecendo. Lamentável...

Ps.: esse relatório tem uma coisinha interessante. Pq, na questão "Em sua opinião esses órgãos, quando ajudam a combater atos corruptos, têm agido somente dentro da lei ou às vezes agem fora da lei?", a alternativa "Às vezes age fora da lei" aparece em verde para Polícia Federal e para Legislativo, mas amarelo para Judiciário, e a alternativa "Somente dentro da lei" aparece em amarelo para Polícia Federal e Legislativo, mas verde para Judiciário? Fica, no mínimo, confuso... Portanto retrata bem o Brasil.

Update
Mas também, vejam que beleza a coerência de nosso presidente. Quando o governo equatoriano fez a lambança ilegal suspendendo direitos constitucionais (do próprio país!) aos funcionários da Odebrecht, o que o sábio de Garanhus falou?
- No Equador, tem eleições no (próximo) domingo. Vamos deixar um pouco a bola passar, para resolver esse problema.

Já sobre a crise financeira e o bloqueio da Câmara dos Representantes ao pacote de 700 bilhões de dólares:

- Está na hora do Congresso americano e do governo americano assumirem a responsabilidade que lhes cabe nessa história, ou seja, não permitir que a disputa político eleitoral que vai se dar em novembro prejudique a discussão do plano econômico.

Reparem que ele atribuiu o problema equatoriano a uma sanha eleitoral do companheiro de Foro de São Paulo, algo como: "deixa ele mostrar pro povo dele que empresa estrangeira é malvada e ele vai ter pulso firme, usando uma empresa brasileira para ganhar o referendo constitucional". E tudo muito normal. Mas só se for companheiro né, pois, segundo o barbudão, os EUA precisam fazer exatamente o inverso do que o Equador fez, ou seja, tomar decisões sem que o pleito próximo interfira. Queria ver os EUA fazendo algo do tipo com uma empresa brasileira. Mas, claro, Lula conta com o fato de que as democracias que ele demoniza SEGUEM as próprias regras, assim ele pode continuar a bravataria estúpida pro zé povinho bater palminha... O mesmo que fazem os presidentes da Bolívia, do Equador, do Paraguai, com a diferença é que eles efetivamente tomam atitudes contra as empresas brasileiras, pois sabem que o nosso governo é simpático ao pobrismo e só levanta a voz quando algum país rico PROPÕE algum acordo que TRARÁ vantagens também ao Brasil e que IRÁ ser honrado. Quando é país pobre que cospe na cara do Brasil, aí tudo bem, tadinhos... E Lula ainda quer ser líder na ONU...

Lula dizia que FHC deveria ser processado pelo crime de lesa-pátria. Mas, vamos pensar, vai gente... Quem é mesmo que está lesando nosso país?

26 setembro 2008

Independente

Engraçado esse povo preocupado com a, humm, "comercialização" - é isso? Acho que é isso, não é? - da cultura. Como se filme bom fosse filme que ninguém vê. "Ah, virou sucesso, todo mundo viu, então não presta". Tá, todo mundo já falou desse assunto, mas eu também quero falar ué!

Conheço um monte de gente que gostava de Metallica quando ninguém gostava de Metallica. Quando todo mundo começou a gostar, essas pessoas deixaram de gostar, pq o som ficou "comercial". A mesma coisa. O que faz o som ser comercial é o número de pessoas que gostam desse som. A cada disco novo do Metallica, já faz parte de toda aquela publicidade (aquela coisa comercial, sabe?) falar que o disco é uma volta à origem (o que não deixa de ser verdade, pq é tudo a mesma coisa). Ou seja, fica claro que até o cara que realmente só gosta das coisas que todo mundo gosta quer uma coisa que tenha o selinho "isto não é comercial". O mais legal é que é a própria indústria que coloca esse selo. Idiotas.

Coisa desse pessoalzinho alternativo, que faz faculdade pública e passeata pela paz. Uma coisa bem genérica. Paz. Claro, quem seria o idiota contra a paz, não é mesmo? O engraçado é que a passeata é direcionada não aos bandidos (até faria sentido uma passeata pedindo paz para os bandidos. Seria risível, mas faria sentido), e sim à sociedade. O taxista, a dona-de-casa, o feirante, o motorista, todos esses vão ficar tocados e... bem, nada.

Bom, tudo isso foi pq eu vi mais uma manifestação desses artistas independentes - normalmente leio 'independente' como 'rejeitado pela grande mídia, mas que vai ao Faustão na primeira oportunidade e agradece por expôr artistas independentes e assim que volta ao seu lugar insignificante volta também ao velho discurso que a mídia não deixa o artista independente aparecer como se não fosse o público que decide se gostou ou não e se vai dar audiência ou não' (não tem vírgulas de propósito, e me deu preguiça colocar hífen entre as palavras, mas minha intenção era essa).

Tenho nojo desses """"gênios"""" incompreendidos sufocados pelas pressões da indústria que só dão espaço a bandinhas comerciais, sabem, aquelas que, bem, dão audiência. Imagina só, que absurdo! A indústra, that bitch, não dá espaço (= dinheiro) pra essas pessoas que ninguém quer ver, pra músicas que ninguém quer ouvir e pra livros que ninguém quer ler! Nojo e um pouco de vergonha por eles, tadinhos, com tanto a dar ao mundo, mas o mundo não dá espaço... Tadinhos... Passou, passou...

Eu comecei falando que era engraçado, mas não expliquei qual é a graça. É que eu acho muito bonito, muito idealista e charmoso quem faz arte pela arte. Normalmente é filho de algum bilionário, ou é hippie que vive de fazer aquelas coisinhas de pena, sabe?, que não tá nem aí pra confortos e modernidades. Esse segundo é o verdadeiro homo-atrasadus, aquele que simplesmente caga pra todo o esforço que todos os nossos ancestrais tiveram pra que não precisássemos ser como eles - living la vida loca, aproveitando a caça que conseguiu hoje e torcendo pra amanhã ter uma caça tão boa e, principalmente, não ser a caça de algum outro.

Percebam que esses dois "artistas" que citei (o riquinho e o cagando-e-andandinho) não tão nem aí se os outros vão lê-los, ouví-los, apreciá-los. O primeiro não liga pq, se quisesse, compraria um monte de gente pra fazer tudo isso. O segundo, justamente por não estar nem aí, pega sua flautinha e sai tocando. Simplesmente não liga. Eles nem se vêem como artistas independentes - afinal, artista de verdade é o que não tá nem aí se tá fazendo arte ou não. Ele simplesmente faz o que tem vontade. Já o tal "artista independente" reclama da falta de espaço na mídia justamente pq ele não quer ser o artista independente. Ele quer público. Ele quer ser famoso. Como não consegue, quer destruir o mercado. Portanto, ele não faz arte pela arte. E essa é a graça. Parecem (e quase sempre são) petistas...

11 julho 2008

Lei seca

De Gilberto Dimenstein, da Folha:
"Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito --e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca."

Duas questões:
1 - Quem causava a matança no trânsito respeitava a lei que existia antes dessa?
2 - Se não respeitava aquela, pq respeitaria essa?

Aí algum imbecil fala: "ah, as estatísticas já estão mostrando que a lei está funcionando e as mortes estão diminuindo." É? A única variável que mudou foi a lei? Não houve um aumento incrível no número de blitze? Hm. Pois a resposta para aquelas duas questões é exatamente essa: aquele que causava a matança com a lei anterior vai respeitar essa pq HÁ FISCALIZAÇÃO. Quando o show acabar, vamos ver se tudo não vai voltar ao normal...

A lei anterior já era bem rigorosa - muito mais rigorosa que a lei norte-americana, por exemplo. Será que não faltava somente a fiscalização? É clichê, mas não custa lembrar: o problema não é a falta de leis, e sim o não cumprimento das que já existem.